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5 de February de 2020, 11:08h

Matemática e indústria precisam conversar, diz Viana na Folha

O matemático húngaro John Von Neumann, em foto de 1951, ao lado do Computador IAS, do Instututo pelo Estudo Avancado, em Princeton, em Nova Jersey (EUA) – Reprodução/IAS/Computer History Museum

Reprodução da coluna de Marcelo Viana, na Folha de S.Paulo

Contam que Henry Ford, pioneiro da indústria automobilística, encomendou um dínamo para seus carros, mas o aparelho não funcionava, e o fornecedor não conseguia resolver o problema. Ford então chamou “o homem mais inteligente da América”, o matemático de origem húngara John von Neumann, do Instituto de Estudos Avançados de Princeton.

Von Neumann olhou os diagramas, caminhou em volta do dínamo, tirou um lápis do bolso e marcou uma linha no invólucro: “Se cortar aqui, funciona”. Cortaram, e o dínamo funcionou.

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Quando Ford pediu a conta, von Neumann mandou nota no valor de 5 mil dólares, uma soma enorme para a época. Surpreso, Ford pediu o detalhamento. Von Neumann respondeu: marcar a linha com o lápis, 1 dólar; saber onde marcar a linha, 4.999 dólares. Ford pagou.

Que conhecimento é dinheiro (e poder) é lição antiga. A 2ª Guerra Mundial foi ganha pelo poderio industrial norte-americano, baseado no conhecimento científico e tecnológico. E os EUA nunca mais pararam de importar os melhores cérebros do mundo de países menos capazes ou menos cuidadosos em preservar sua relevância e independência. 

O Brasil da época percebeu e fez o dever de casa, construindo um sistema científico nacional (CNPq, Capes, a que se seguiriam Finep, Ministério da Ciência e Tecnologia, as fundações estaduais), ao mesmo tempo em que desencadeava sua industrialização.

O valor material da ciência está amplamente comprovado e mensurado. Peguemos o caso da matemática: estudos técnicos realizados nos últimos anos em diversos países (Reino Unido, França, Austrália, Holanda e Espanha) comprovam que as atividades econômicas com alto conteúdo matemático geram grande parte da riqueza nacional: cerca de 15% do PIB.

Produzir conhecimento é fundamental, mas é igualmente necessário incorporá-lo aos processos produtivos. Dados divulgados pelo diretor científico da Fapesp, professor Carlos Brito Cruz, apontam que a colaboração entre academia e indústria vem crescendo no Brasil, mas ainda há enorme potencial a explorar. Especialmente no que tange à matemática, parece claro que o diálogo entre os dois setores ainda está muito atrás dos países mencionados.

Esse diálogo não surge espontaneamente, precisa ser construído, e com urgência. É com esse objetivo que o Impa vai realizar, em 13 e 14 de fevereiro, o primeiro Workshop Matemática e Indústria, em parceria com o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria da USP. Trata-se de trazer empresas para interagir com pesquisadores, identificar domínios de colaboração e construir parcerias que beneficiem os dois setores e o país.

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