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2 de janeiro de 2020, 15:57h

Na Folha, o mundo bizarro da mecânica quântica

Foto: Coleção particular

Reprodução da coluna de Marcelo Viana, na Folha de S.Paulo

Ao final do século 19, parecia que a humanidade tinha descoberto todos os segredos do universo. O físico britânico Lord Kelvin (1824–1907) afirmou: “Não há mais nada para descobrir na física. Tudo o que resta é fazer medições cada vez mais precisas”.

Uma coisa que ele tentou medir foi a idade da Terra. Mas a estimativa —de 20 a 40 milhões de anos— ficou muito aquém do valor aceito atualmente: 4,5 bilhões de anos. 

Kelvin errou ao não levar em conta o papel da radiatividade no aquecimento do planeta: a radiatividade ainda não tinha sido descoberta!

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Até os matemáticos entraram na onda. Na famosa lista de 23 problemas que o alemão David Hilbert (1862–1943) apresentou ao Congresso Internacional de Matemáticos de 1900, o 6o era “axiomatizar a física”. 

Como se, tendo encontrado todas as leis naturais, a física estivesse pronta para se tornar uma subárea da matemática.

Ironicamente, algumas décadas depois o matemático russo Vladimir Arnold (1937–2010) escreveria: “A matemática é uma subárea da física, aquela em que os experimentos são baratos”. Essa afirmação permanece válida.

O início do século 20 evaporou o ufanismo, gerando dois avanços que mudaram radicalmente a nossa percepção do universo: a relatividade —que revolucionou as ideias de espaço, tempo, massa e energia— e a mecânica quântica, recheada de conclusões ainda mais paradoxais.

A ciência do século 19 estava baseada no princípio do determinismo: conhecendo as leis do universo, e o seu exato estado atual, poderíamos prever toda a evolução futura. 

A ideia de probabilidade seria um mero recurso técnico para compensar que não podemos saber exatamente o estado atual.

A mecânica quântica desafiou frontalmente esse princípio, afirmando que a evolução do universo é fundamentalmente probabilística: há muita coisa que não podemos saber “simplesmente” porque ainda não foi decidido. 

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