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19 de outubro de 2018, 15:46h

IMPA recebe alunos na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

 

Com o tema “Ciência para a redução das desigualdades”, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) 2018 chegou ao IMPA nesta sexta-feira (19).

As atividades começaram no início da manhã com a palestra “O que faz um matemático?”, do diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, voltada para o público formado por alunos de escolas públicas e privadas do Rio de Janeiro.

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De forma lúdica, Viana explicou que a Matemática não é apenas uma “profissão” qualquer, mas uma importante forma de se divertir e uma área capaz de gerar riquezas para um país.

Para ratificar esta informação, Viana apresentou o resultado de um levantamento realizado na Inglaterra, pela Deloitte, sobre como a Matemática contribui para a economia. A pesquisa mostra que 16% do PIB inglês é resultado da Matemática e das profissões ligadas a ela, representando cerca de R$ 1 trilhão.

Realidade bem diferente da encontrada no Brasil. Viana destacou que se em países europeus 40% dos estudantes têm conhecimento científico para atuar em áreas ligadas à disciplina, no Brasil isso não passa de 3,8% – segundo dados do Pisa.

Para tentar mudar este quadro e incentivar os jovens, Marcelo Viana explicou que a Matemática tem função importante na vida das pessoas. Por exemplo, os smartphones são viáveis porque têm muita matemática envolvida, desde sua produção até o sinal que usamos para nos comunicar por meio deles.

Com a intenção de mostrar isso de forma palpável, promoveu um jogo com grupos de estudantes usando jogos de dominós. O desafio dos grupos era criar um círculo usando todas as peças. Porém, em alguns conjuntos faltavam as peças com número 4 e em outras aquelas com o 5.

As equipes com os jogos completos logo tiveram êxito. As turmas sem as peças do número 4 também. Mas a turma sem as peças do número cinco não conseguiram concluir o desafio. E aí entra a matemática.

Viana explica que somente com arestas pares é possível vencer o jogo e a teoria para isso surgiu em 1736, quando o suíço Leonhard Euler (1707 – 1783) foi chamado para resolver o problema das sete pontes de Königsberg, localizada na Prússia, atual Alemanha, e acabou criando a teoria dos grafos.

Königsberg, cortada pelo Rio Prególia, tem duas grandes ilhas que formam um complexo que na época continha sete pontes. Na época, queriam saber a possibilidade de atravessar todas as pontes sem repetir nenhuma. A lenda local dizia que sim, mas Euler provou que não existia caminho que possibilitasse tais restrições.

Para isso, o matemático suíço transformou os caminhos em linhas e suas intersecções em pontos — criando possivelmente o primeiro grafo da história. Ele percebeu que só seria possível atravessar o caminho inteiro passando uma única vez em cada ponte se houvesse exatamente zero ou dois pontos de onde saísse um número ímpar de caminhos.

Interessante, certo? O mais bacana de tudo isso é que a teoria dos grafos surgida desse problema de uma cidadezinha alemã é essencial na produção dos microchips dos celulares do qual não desgrudamos. É matemática que não acaba mais!

Oficina de origami

Depois da palestra de Marcelo Viana, os estudantes se divertiram e aprenderam mais matemática na oficina de origami modular com Dyego Soares, aluno de doutorado do IMPA.

Origami é arte tradicional japonesa de dobrar o papel para criar representações de seres ou objetos com as dobras geométricas de uma peça de papel. Não é toa é muito usada em aulas matemática,

Na oficina, os jovens aprenderam a fazer um cubo a partir de seis peças modulares e ainda receberam dicas para realizar outras formas com essas mesmas peças.

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