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18 de outubro de 2018, 16:44h

Corpo científico do IMPA é babel de 14 nacionalidades

Karine Rodrigues

Se hoje o IMPA é uma babel, com pesquisadores e alunos das mais diversas partes do país e do mundo, nos primórdios, resumia-se a três sotaques: carioca, cearense e pernambucano. Em outubro de 1952, o instituto nasceu com o diretor Lélio Gama (1892-1981), do Rio, e dois pesquisadores titulares: Maurício Peixoto, de Fortaleza, e Leopoldo Nachbin (1922-1993), de Recife. O corpo científico era formado ainda pelos assistentes Paulo Ribenboim e Carlos Benjamin de Lyra (1927-1974), conterrâneos de Nachbin.

Os primeiros pesquisadores associados e assistentes de pesquisa surgiram ao fim da década de 1960. Membro do Conselho de Administração do IMPA, Jonas Gomes começou assim, em meados dos anos 70. Segundo seu depoimento ao livro “IMPA 50 anos”, já naquela época era necessário ter doutorado para ser pesquisador do IMPA.

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“O Instituto dispunha de um cargo chamado assistente de pesquisa – oferecido aos alunos de doutorado que estavam indo bem no curso e eram contratados para ajudar nos cursos de mestrado, principalmente dando aulas de exercícios”, detalhou Gomes, que após o doutorado se tornou pesquisador titular e criou o Visgraf, laboratório de computação gráfica do IMPA, hoje coordenado por Luiz Velho.

No mesmo livro, Elon Lages Lima considera que a década de 70 foi o início do que chamou de anos gloriosos, quando, segundo ele, o IMPA passou a ter uma produção regular de doutores e ser vista como uma instituição de pesquisa respeitável. No fim da década, o total de pesquisadores titulares chegou a 32. Outras áreas de pesquisa foram somadas, aumentando a lista formada por Sistemas Dinâmicos, Geometria Diferencial e Álgebra.

“Fiquei como diretor, Jacob Palis dirigia os seminários de Sistemas Dinâmicos, Manfredo do Carmo (1928-2018) na Geometria, Otto Endler (1929-1988) na Álgebra, Karl-Otto-Stöhr na Geometria Algébrica”, relata Lima, destacando a vinda de pesquisadores estrangeiros: “Conseguimos atrair diversos matemáticos americanos e ingleses que passaram longos períodos colaborando conosco, atraídos pela qualidade dos trabalhos que começavam a ser feitos, em áreas novas.”

Pesquisador titular da área de Economia Matemática, Aloisio Araujo ressalta, na mesma publicação, que a excelência do corpo científico do IMPA está na gênese da instituição.

“Desde sua fundação, praticamente, vinham matemáticos fabulosos ao Brasil, como Laurent Schwartz (1915-2002), por exemplo, grande matemático francês que deu uma palestra quando eu ainda era aluno. Steve Smale (Medalha Fields em 1966) fez boa parte de seu trabalho científico no IMPA, ‘nas areias de Copacabana’, como ele conta. Mesmo na economia, vários Prêmio Nobel visitaram o IMPA; no dia em que recebeu a notícia de que tinha ganhado o Nobel (em 2000), James Heckman estava na Fundação Getúlio Vargas, e na véspera estivera no IMPA trabalhando comigo. Joseph Stiglitz (Nobel em 2001) e Kenneth Arrow (1921-2017, Nobel em 1972) fizeram palestras aqui”.

Hoje, o IMPA tem 49 pesquisadores (30 titulares, 10 associados, 2 extraordinários, 3 eméritos, 3 honorários e 1 adjunto)  de 14 nacionalidades. Ao longo de 66 anos de existência, outros 52 destacados pesquisadores fizeram parte da instituição, de excelência mundialmente reconhecida.

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