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17 de outubro de 2018, 14:11h

Ideia de instituto fora da universidade causou resistência

Integrantes do CNPq, na posse do 1º diretor do IMPA, Lélio Gama (6º) / Acervo MAST

Karine Rodrigues

Um instituto de pesquisa desvinculado da universidade? Quando a ideia foi aventada pela primeira vez em reunião do Conselho Deliberativo do então chamado Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), criado naquele mesmo ano de 1951, causou certo estranhamento.

Não houve consenso, mas a semente estava lançada, detalha Circe Mary Silva da Silva, professora de pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Espírito Santo  (Ufes), em estudos sobre o assunto. Coube ao conselheiro Cândido Lima da Silva Dias (1913-1998), professor de Matemática da Universidade de São Paulo (USP), elaborar um anteprojeto sobre a instituição que, cerca de um ano depois, sairia do papel e se tornaria o IMPA.

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No parecer apresentado nesta mesma data de 16 de outubro, mas em 1951, Silva Dias, então diretor de Pesquisas Matemáticas do CNPq, observava que, no Brasil, fazia-se pesquisa matemática pura em três lugares: o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), onde já estavam Maurício Peixoto e Leopoldo Nachbin, que se tornariam os dois primeiros pesquisadores titulares do IMPA, e os departamentos de Matemática da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP e a Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (RJ).

O interesse no assunto ultrapassava as fronteiras do Sudeste e chegava a Porto Alegre, Recife e Belo Horizonte. Silva Dias acalentava o desejo de ter no país uma instituição nacional, algo semelhante a entidades que conhecera no exterior, como o Instituto Steklov (1919, São Petersburgo, Rússia) e o Institute for Advanced Study (Princeton, EUA, 1930).

O matemático Lélio Gama, que se tornaria o primeiro diretor do IMPA, defendeu, na reunião dos conselheiros em 17 de setembro de 1952, quase um mês antes da votação, o apoio à proposta.

“Acho que o Conselho deve dar o mais franco amparo a essa ideia, porque o Instituto de Matemática, projetado, virá a dar um rumo certo à pesquisa matemática no Brasil. Nestes 50 anos, os estudiosos, pesquisadores têm vivido, por assim dizer, esparsos, procurando aglomerar-se aqui e ali, sem, contudo, lograr uma orientação estável e contínua para seus trabalhos.”

Gama completou: “Tem faltado a possibilidade de trabalho e, sobretudo, cooperação, que só um instituto desta natureza poderá assegurar. De modo que faço votos para que este conselho possa realizar este projeto, do mais vivo interesse para a cultura matemática de nosso país”.

No dia da votação do projeto de criação do IMPA, quem torceu o nariz foi minoria. Surgiu, assim, em 15 de outubro de 1952, o Instituto de Matemática Pura e Aplicada, primeira unidade de pesquisa do CNPq. As atividades começaram no ano seguinte, no CBPF. A homologação veio em 1956. 

A finalidade estava bem definida: “o ensino e a investigação científica no campo da Matemática pura e aplicada, assim como a difusão e elevação da cultura matemática no país.”  O IMPA levou a sério a missão. Chega, agora, aos 66 anos de atividade como uma das mais destacadas instituições de pesquisa matemática do mundo.

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