Navegar

06/05/2020

Dia da Matemática é celebrado nesta quarta-feira (6)

Foto: Portal Malba Tahan

Dizem que estar apaixonado pode nos fazer perder a cabeça. Criar pseudônimos, publicar contos e fábulas, e até escrever uma falsa biografia para trazer ares de especialista no assunto foram algumas das “loucuras” que Julio Cesar de Mello e Souza cometeu para expressar o amor que sentia pelos números e histórias. Talvez você não o conheça por este nome, mas se já ouviu falar de Malba Tahan, sabe de quem estamos tratando. E foi essa paixão pela matemática que fez com que  a data do aniversário do matemático, educador e escritor fosse eternizada como Dia Nacional da Matemática, celebrado nesta quarta-feira (6). Veja a programação que o IMPA está promovendo para comemorar a data.

Julio Cesar de Mello e Souza nasceu no Rio de Janeiro em 1895. Passou a infância na cidade de Queluz, às margens do Rio Paraíba. Ao se mudar para a capital do estado, estudou nos Colégios Militar e no Pedro II. Já nessa época, se interessava por literatura. Um dos professores de português com quem teve aulas, passava redações para os alunos e quem não fazia o dever, tinha de ficar no final de semana no colégio. Julio viu a oportunidade como um bom negócio: passou a vender redações aos colegas. Com o dinheiro, garantia o bonde na hora de ir para casa. 

Leia também: Iamarino: Covid-19 definirá nova relação humanidade-natureza
IMPA abre chamada pública para selecionar bolsista PCI

IMPA terá lives e webinar na Semana Nacional da Matemática

Assim como sete dos seus oito irmãos, Julio seguiu a vocação da mãe e tornou-se professor pela Escola Normal. A tradição dentro de salas de aula fez com que a família passasse a ser conhecida como os “Mello e Souza”, que chegou a fundar colégios. Mais tarde, fez graduação em engenharia pela Escola Nacional. 

Foto: Julio acompanhado da mulher Nair e das irmãs Laura e Maria Antonieta/ Portal Malba Tahan/ Acervo CME/FE-Unicamp

Tentando dar sequência à carreira literária, escrevia artigos para o Jornal O Imparcial, por volta de 1918. Foi lá onde Julio Cesar assinou os primeiros contos com o pseudônimo R.V. Slady ou R.S. Slady, não se sabe ao certo. Para driblar a indiferença do editor do jornal, passou a dizer que aqueles textos eram assinados por um importante autor americano, o que funcionou.  

Em 1925, o matemático apresenta aos leitores a mistificação literária de Malba Tahan. Não era apenas um pseudônimo, mas o resultado da profunda construção de um personagem. Para se ter ideia, foi preciso que Julio Cesar estudasse a língua e cultura árabes, e criasse uma biografia para convencer leitores e editoras de que Malba Tahan era pura realidade. A criação proporcionou a publicação de “Amor de Beduíno”, “Céo de Allah” e “Mil histórias sem fim”, entre outros. 

Foto: Julio, Nair e familiares/ Portal Malba Tahan/ Acervo CME/FE-Unicamp

O livro mais famoso de Malba Tahan é “O homem que calculava” (veja lista com 10 dicas de livros sobre matemática). Para Monteiro Lobato, o sucesso foi considerado “uma obra que ficará salva das vassouradas do tempo, como a melhor expressão do binômio ciência e imaginação”. Na publicação, estão reunidos o saber matemático e os contos árabes em uma extraordinária aventura, que traz desafios e problemas sempre resolvidos pelo homem que calculava, o persa Beremiz Samir, principal protagonista da obra. “Best seller” na literatura brasileira, o livro continua vivo em milhares de salas de aula do Brasil, alcançando mais de 80 edições desde a primeira, em 1937.

Assinando como Prof. Mello e Souza e Malba Tahan, Julio Cesar escreveu mais de cem livros de didática e ensino da matemática. Foi considerado precursor de uma nova forma de ensinar a matemática, e o mais destacado popularizador da disciplina no Brasil. Ninguém poderia imaginar que o Prof. Mello e Souza era Malba Tahan, o famoso autor árabe que já publicava em livros, jornais e revistas de todo o país. 

Malba Tahan permaneceu como verdadeiro escritor até os anos de 1940, quando foi descoberto. Julio Cesar morreu em 18 de junho de 1974, quando estava no Recife para participar de eventos científicos. Aos 79 anos, ele continua ativo, dando cursos e mantinha uma coluna diária no Jornal Última Hora. Trinta e nove anos depois, a data de seu nascimento, 6 de maio, tornou-se, o Dia Nacional da Matemática. 

Se quiser ouvir essas e outras histórias sobre Julio Cesar de Mello e Souza e sobre Malba Tahan, conheça a plataforma que disponibiliza textos e áudios sobre a história do matemático!

Leia também: Dez fascinantes livros sobre matemática para a quarentena
‘Ciência básica é o chão para a aplicada crescer’, diz Aguilaniu