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17 de setembro de 2019, 10:38h

A interseção entre a Computação e a Matemática

Quando cursava o Ensino Médio no CEFETEQ, no Rio de Janeiro, Taísa Martins se satisfazia com a precisão dos resultados das questões propostas pelos professores da área das ciências exatas. O processo de estudar um conteúdo e aplicá-lo para depois chegar a um resultado certo ou equivocado era algo que lhe agradava. Era preto no branco, e não havia espaço para ambiguidades, como nos exercícios de Língua Portuguesa, com os quais a estudante tinha mais dificuldade.

Talvez o apreço por este tipo de exatidão a tenha levado a se aproximar do campo da Matemática ao qual se debruça hoje. Em seu pós-doutorado no IMPA sob supervisão do pesquisador titular Robert Morris, a especialista em combinatória extremal e probabilística desenvolve um projeto que busca entender o comportamento de subestruturas pequenas em estruturas grandes e o que se pode inferir sobre alguns sistemas grandes o suficiente.

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O interesse pela área começou quando Taísa fazia doutorado na Universidade de Warwick, na Inglaterra. O país é considerado o berço da combinatória extremal e reúne uma comunidade de estudiosos do tema. “Quando estive lá frequentei muitos seminários e congressos, e desenvolvi um forte interesse na área”, conta a carioca, que voltou para o Brasil decidida a fazer o pós-doutorado no assunto.

Sub-área da combinatória, a combinatória extremal estuda as relações entre vários parâmetros numéricos de estruturas discretas. Em geral, responde questões como o quão grande ou o quão pequeno certo parâmetro pode ser, dada uma condição sobre outro parâmetro. “Gosto muito dos tipos de problema deste nicho da Matemática porque eles são simples de serem descritos e, em geral, possuem soluções engenhosas”, relata Taísa.

Criada na Ilha do Governador, a pós-doutoranda do IMPA cresceu acreditando que seria farmacêutica e integrava o curso técnico em Farmácia oferecido pela escola. A proximidade do vestibular a fez repensar seus planos e começar a avaliar as opções de graduação em Física, Matemática ou Ciência da Computação.

A leitura do mistério “Fortaleza Digital”, do romancista britânico Dan Brown, atiçou sua curiosidade para a criptografia. Ainda que se tratasse de uma exposição superficial do tema, o livro a encantou pela forma instigante com que a narrativa se desenrolava. Seguindo sua intuição, Taísa se matriculou no curso de Ciência da Computação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“No início da graduação, meu sonho era trabalhar no Google.” A multinacional americana representava o que havia de mais moderno e avançado na indústria da tecnologia. Ela aponta que “esse era um desejo comum entre os estudantes do curso na época”.

Taísa chegou a estagiar em uma empresa que desenvolvia softwares. Mas, à medida que absorvia os conteúdos do curso, percebeu que seu interesse se voltava para a interseção da Ciência da Computação com a Matemática. “Hoje em dia me identifico muito mais como matemática do que como cientista da computação”, afirma.

Após concluir o mestrado em Engenharia de Sistemas e Computação também na UFRJ, em 2014, Taísa enfim pode consolidar sua relação com a Matemática. Ao longo do doutorado na Universidade de Warwick, desenvolveu pesquisa nas áreas de limites de grafos e combinatória extremal.

No IMPA desde 2018, a aluna de pós-doutorado considera que o IMPA oferece um ótimo ambiente para pesquisa. O grupo de pesquisadores de combinatória, em especial, é bastante inspirador. Além de ter uma ótima visibilidade nacional e internacional, o grupo é receptivo e amigável. Todos gostam de discutir, conhecer e desenvolver novos problemas e técnicas”, conta.

Taísa já sabe o que fará quando concluir os estudos no IMPA. Ela foi aprovada no concurso para docente do departamento de Análise da Universidade Federal Fluminense (UFF), e espera começar a trabalhar lá em 2020.

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