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23 de maio de 2018, 14:52h

Visgraf usa edição probabilística em 'The Tempest'

Luiz Velho explica para a plateia o processo de escolha do modo de exibição

Na plateia, o engenheiro de computação Bruno Madeira aguarda pelo início da apresentação de “The Tempest”, produção concebida pelo laboratório de Visão e Computação Gráfica (Visgraf) do IMPA, baseada em obra de William Shakespeare. Está sentado no mesmo auditório do IMPA onde, em janeiro, viu o experimento. Mas o que está prestar a assistir, na noite desta terça-feira, 22 de maio, não é exatamente o mesmo espetáculo.

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Como explica o coordenador do Visgraf, Luiz Velho, cada uma das quatro apresentações do “The Tempest” já realizadas desde dezembro do ano passado é única. O atributo “em tempo real” da produção interfere no resultado final. Além disso, a interatividade inerente à produção faz com que ela se transforme, embora as mudanças sejam sutis.

Na apresentação desta noite, o público é recebido com um convite: acessar um aplicativo para escolher a modalidade de exibição. Ganha o estilo mais cinematográfico (68%), que prioriza cenas em close. Os demais optaram pela modalidade mais teatral, na qual predominam os planos médios.

Diante desta decisão, Manoel Prazeres, diretor do espetáculo, que une teatro, cinema, realidade virtual e tecnologia de jogos, faz a seleção em tempo real das câmeras seguindo uma lógica probabilística, definida automaticamente a partir de parâmetros inseridos no programa. Embora, aqui e ali, decida fazer os enquadramentos no modo manual.

Ayres foi um dos sorteados que assistiu a produção com equipamento de realidade virtual

Enquanto o resultado é apreciado pela plateia no telão de um dos auditórios do IMPA, dois dos presentes à exibição veem o espetáculo a muitos passos dali, no laboratório. Escolhidos em sorteio, o diretor de audiovisual Márcio Ventura e o doutorando do IMPA José Eduardo Ayres acompanham de maneira imersiva a história de Próspera – na versão do Visgraf o protagonista é feminino -, Miranda e Ariel.

“Fantástico poder decidir o meu ângulo de visão. Movia o corpo e conseguia ver a cena se desenrolando de uma determinada perspectiva”, diz Ayres, ao deixar o laboratório. No debate com a plateia, após a exibição, Ventura sugere uma mudança. “Senti falta de chegar muito perto do personagem e assim conseguir olhar a cena do ponto de vista dele.”

Na próxima exibição do “The Tempest”, adianta Velho, o público já pode contar com uma maior proximidade entre o espectador que usa o equipamento de realidade virtual e os personagens. Outras surpresas devem ser aguardadas.

“Já estamos trabalhando na criação de uma espécie de visita guiada pelo espetáculo”, relata o coordenador do Visgraf, que, diante da curiosidade da plateia, cita um e outro detalhe da ferramenta criada para a apresentação cinematográfica em realidade virtual.

O tema será debatido na tarde desta quarta-feira (23), no auditório 3 do IMPA, no seminário “Live Probabilistic Editing with Virtual Cinematography”. Velho apresentará conceitos e aplicações de edição probabilística integrados à plataforma VR Kino+Theather.

Uma das cenas da produção criada pelo Visgraf e baseada em obra de Shakespeare

“Uma coisa é a teoria matemática que está por trás do ‘The Tempest’. A outra é validar o processo. O que as pessoas veem na tela é, matematicamente, um gráfico. Criamos uma ferramenta de alto nível para ser usada na edição e estamos avaliando como ela funciona. Ou seja, estamos pedalando e trocando o pneu da bicicleta ao mesmo tempo”, resume o pesquisador do IMPA.

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