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6 de maio de 2018, 19:11h

No Dia Nacional da Matemática, uma história sobre Malba Tahan

Julio Cesar de Mello e Souza em foto do Arquivo Malba Tahan / Centro de Memória da Educação da Unicamp

Julio Cesar estava no décimo sono quando uma chacoalhada no ombro o fez abrir os olhos. Tomou um susto ao dar de cara com o professor de geografia, diretor da escola. Naquela hora, meio da madrugada, todos do internato do Colégio Pedro II, em São Cristóvão, no Rio, dormiam. Decidiu acordar também o Cearense, “colega muito distinto, do banco de honra em todas as matérias.”

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Os dois deveriam acompanhá-lo, disse o diretor. E que levassem o cobertor, dado o frio de maio, já outono. O Cearense achou que o homem enlouquecera. Ainda assim, desceram escadarias e entraram na sala da diretoria.

“Abram a janela! Abram a janela””, disse o diretor. Diante do Campo de São Cristóvão de sempre, o único som era um latido distante. Ele se aproximou, então, com um bico de gás nas mãos, abraçou os dois alunos e disse: “Vocês estão olhando para a terra. Não olhem para a terra, olhem para o céu.” Diante deles, o Cometa Halley rasgava a madrugada, naquele maio de 1910.

O episódio foi marcante. Em abril de 1973, cerca de um ano antes de morrer, ao ser entrevistado no Museu da Imagem e do Som (MIS), Julio recorda a história e se diz imensamente agradecido pela atitude do professor, Augusto José de Araujo Lima, que saíra de casa na madrugada, pegara o bonde, andara quase 1h até o Colégio Pedro II apenas para mostrar o fenômeno aos pupilos.

Julio Cesar de Mello e Souza cresceu, tornou-se ele também professor do Colégio Pedro II e fez história com o pseudônimo Malba Tahan.

Neste seis de maio, Dia Nacional da Matemática, comemora-se a vida e a obra de Julio, escritor e divulgador da matemática, nascido neste dia, em 1895, no Rio, e que nos deixou mais uma centena de livros sobre o tema, entre eles, “O homem que calculava”.

Ele encantou gerações, no Brasil e mundo afora, ao apresentar a matemática de uma forma atraente, que não se limitava ao universo das cansativas exposições orais. Tinha prazer em associar literatura e matemática. Viva!

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