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28 de fevereiro de 2019, 13:26h

Matemático ganha 3º Oscar por técnica de modelagem 3D

A cerimônia do Oscar 2019, no domingo (24), revelou os vencedores das principais categorias do cinema mundial. Os filmes “Bohemian Rhapsody”, “Roma” e “Green Book” dividiram as atenções. Mas quase ninguém soube que um matemático levou sua terceira estatueta para casa, igualando-se à grande atriz Meryl Streep.
Sem estrela na Calçada da Fama ou repórteres correndo atrás dele no tapete vermelho, o matemático holandês Jos Stam entrou para o importante grupo de vencedores da Academia de Cinema por seu trabalho atrás das câmeras. 

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Em 9 de fevereiro, na entrega dos prêmios científicos e técnicos da Academia, no Beverly Wilshire Hotel, Stam dividiu o Oscar com o cofundador da Pixar, Edwin Catmull, e com Tony DeRose, pesquisador do estúdio. O trio foi reconhecido pelo trabalho pioneiro na ciência das superfícies de subdivisão, técnica de modelagem 3D que sustenta a mágica visual de filmes como &ldq uo;O Senhor dos Anéis” e “Avatar”. 
Formado em Ciência da Computação e Matemática Pura pela Universidade de Genebra (Suíça), Stam venceu o Oscar em 2005 e 2008. Ele realiza há 30 anos pesquisas gráficas e tem levado a Matemática ao cinema. A Matemática tornou mais fácil, por exemplo, movimentar de um tiranossauro rex cheio de escamas aos cabelos ondulados de personagens. 
O trabalho de Stam ajudou a desenvolver um software que permite aos diretores de arte criar formas e efeitos 3D sem mexer com números e equações, facilitando a vida de quem não é muito dado aos números.
Em entrevista ao portal da Universidade de Toronto (Canadá), onde fez doutorado em Ciência da Computação, o matemático disse que seu trabalho foi “esconder a Matemática das pessoas mais artísticas”.
O holandês agradeceu ao irmão mais velho, morto de câncer há 21 anos, por tê-lo encorajado a estudar programação. O empurrão fraterno fez com que decidisse tirar dos artistas o trabalho pesado da Matemática, para que pudessem se dedicar às criações.
Daí foi um passo para enxergar ser possível – apesar de nada fácil – transformar equações diferenciais e álgebra em imagens incríveis. Seus primeiros estudos se concentraram em como descrever realisticamente fenômenos naturais gasosos, como fios de fumaça, neblina sobre um campo ou escapamento de carros, enquanto reagem a um campo turbulento, como o vento.
Após dois pós-doutorados em Paris (França) e Helsinki (Finlândia), Stam se juntou à empresa de gráficos Alias, em Toronto. Algumas de suas pesquisas foram incorporadas no software Maya, ferramenta de animação e efeitos que se tornou padrão em modelagem 3D.
O prêmio da Academia para Stam em 2019 é por suas contribuições ao campo das superfícies de subdivisão, que envolve partir repetidamente superfícies de arestas mais duras para produzir uma superfície lisa, como esculpir a partir de um bloco de mármore. Ele desenvolveu um atalho para a técnica, o que levou ao desenvolvimento da modelagem geométrica, com implicações além do cinema, design industrial, arquitetura e manufatura. 
Apesar da terceira estatueta, Stam não é cinéfilo. Assiste a filmes ocasionalmente – e sem som – para que possa focar nas imagens. Pesquisador da NVIDIA, gigante dos chips gráficos, prefere ficar no computador com suas fórmulas. Enquanto ele desenvolve novidades gráficas, vamos curtindo os filmes que usam sua mágica para entreter e emocionar.

Confira o discurso dele no Oscar 2019:

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