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17 de maio de 2019, 16:19h

Vinicius Ramos recebe apoio de R$ 1 milhão do Serrapilheira

Pesquisador do IMPA, Vinícius Gripp Ramos foi contemplado com R$ 1 milhão pelo Instituto Serrapilheira, para seu trabalho na área de geometria simplética, dinâmica de contato e bilhares. Selecionado na 1ª Chamada Pública de Apoio à Pesquisa Científica do Serrapilheira, Vinícius já havia recebido o apoio financeiro de R$ 100 mil ao longo do último ano, assim como outros 64 pesquisadores contemplados entre quase 2.000 inscritos.

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Os nomes de 12 pesquisadores que receberão R$ 1 milhão cada foram anunciados nesta sexta-feira (17), em coletiva no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) por Hugo Aguilaniu, diretor-presidente do Serrapilheira, instituto privado de fomento à ciência do país. “Nosso objetivo é identificar os talentos que acabaram de entrar no sistema acadêmico. A longo prazo, criar uma rede de futuros líderes da ciência brasileira”, declarou, destacando que o processo de seleção foi muito difícil.

Hugo Aguilaniu / Crédito: Imprensa/IMPA

Em Israel, onde participa de um evento acadêmico, Vinícius festejou o reconhecimento da seleção, que levou em conta os critérios de excelência e ousadia científica. “Estou muito feliz. O dinheiro ajudará muito na minha pesquisa. Vou poder aumentar o meu grupo, contratar um pesquisador pós-doc, organizar conferências e continuar viajando para conferências internacionais, começando novas colaborações.”

Por telefone, o matemático destacou o impacto de receber o apoio. “É um incentivo aos pesquisadores brasileiros neste momento complicado que vivemos”, afirmou, acrescentando que deseja contribuir para a comunidade da geometria simplética.

Ele investiga interações da geometria simplética – usada para estudar a mecânica clássica em qualquer espaço – com a teoria de bilhares, por meio da dinâmica hamiltoniana, conhecida em determinados contextos como “dinâmica de contato”.

Vinícius fez doutorado na Universidade da Califórnia, Berkeley, nos Estados Unidos, pós-doutorado na Universidade de Nantes (França) e o pós-doutorado de excelência no IMPA. Ingressou como pesquisador-adjunto da instituição em 2017, onde busca, com dedicação, intuição e ousadia, respostas para questões desafiadoras. Para ele, a parte mais ousada de sua investigação é atacar questões em aberto sobre a existência de trajetórias de bilhares em mesas complicadas. “A partir do momento em que você faz uma pergunta da qual não sabe a resposta, tem de ter criatividade, pensar fora da caixa”, disse.

“Renovação da matemática no Brasil e no IMPA”

Diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana comemorou a presença de dois matemáticos entre os selecionados. “É muito gratificante ter um pesquisador do IMPA agraciado em um processo tão competitivo quanto esse do Serrapilheira – ainda mais sendo um jovem extremamente promissor como Vinicius. Isso sinaliza muito positivamente para a renovação da matemática no Brasil e no IMPA. Celebro também a presença de Thiago Pereira da Silva, outro excelente jovem matemático brasileiro”, disse, sobre o professor do Instituto de Ciências Matemáticas e Computação (ICMC), da Universidade de São Paulo (USP).

Hugo, Cristina Caldas, Cristina Campos (conselheira), Carlos Ganade e Ayla Sant’Ana / Crédito: Diego Padilha

O presidente do Conselho Científico do Serrapilheira, Edgar Zanotto, considerou inédito o processo iniciado em 2017, que culmina com o anúncio dos primeiros pesquisadores grantees que terão o apoio renovado pelo instituto. “Não conheço nenhum outro sistema no mundo que tenha passado por um processo de avaliação tão complexo”, declarou Zanotto. Dividida em duas etapas, a seleção envolveu seis pareceres de renomados pesquisadores nacionais e internacionais, reuniões, paineis, workshops e visitas. Em uma fase finais, 37 dos 65 pesquisadores vieram ao Rio defender seus projetos.

Os 12 projetos escolhidos representam 0,6% do total de propostas encaminhadas no início do processo. “São cientistas jovens, top”, disse, aproveitando para parabenizar os três pesquisadores presentes na coletiva – Ayla Sant’Ana da Silva, de Ciências da Vida (Instituto Nacional de Tecnologia – RJ); Karín Menéndez-Delmestre, da Física (Universidade Federal do Rio de Janeiro/Observatório do Valongo – RJ); e Carlos Granade, de Geociências (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais – RJ).

Para a diretora de pesquisa científica do Serrapilheira, Cristina Caldas, os “pareceres entusiasmados reforçam o altíssimo nível da ciência brasileira desenvolvido pelos selecionados”. “Nós acreditamos na Ciência brasileira, e esses pareceres nos fazem crer que estamos certos”, ressaltou. Na coletiva, explicou que a diversidade na ciência é um valor para o Serrapilheira. Por isso, R$ 300 mil de R$ 1 milhão são condicionados à integração e formação de pesquisadores de grupos sub-representados, como mulheres, negro e indígenas.

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