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1 de agosto de 2019, 17:13h

No Colóquio, mesa-redonda celebra os 40 anos da OBM

Os membros da Comissão Nacional de Olimpíadas Matemáticas da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) Carlos Gustavo Moreira, Nicolau Saldanha, Edmilson Motta e Eduardo Wagner

O problema número 3 da Olimpíada Internacional de Matemática (IMO) de 2017, que aconteceu no Rio de Janeiro, é considerado o mais difícil da história da competição. Só dois dos 615 estudantes que fizeram a prova acertaram a questão sobre combinatória. Este e outros problemas matemáticos foram apresentados durante a mesa-redonda sobre os 40 anos da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), nesta quinta-feira (1), no IMPA.

Composta pelos integrantes da Comissão Nacional de Olimpíadas Matemáticas da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) Carlos Gustavo Moreira (conhecido no ambiente matemático como Gugu), do IMPA; Nicolau Saldanha, da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio); Eduardo Wagner, da Fundação Getúlio Vargas (EMAp-FGV); e  Edmilson Motta, do Colégio Etapa, a mesa integra a programação do 32º Colóquio Brasileiro de Matemática. 

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Na sessão, foram compartilhadas experiências pessoais sobre a organização e participação na OBM, além de dicas e histórias curiosas sobre competições internacionais. Gugu relembrou o desafio proposto por Wagner em 1991, durante a Olimpíada Iberoamericana, na Argentina. 

“Tinha um problema muito intrigante na prova daquele ano. Wagner apostou comigo que, se eu resolvesse, ganharia um gim tônica. Foi a primeira vez que provei a bebida”, contou Gugu, que acompanhava Wagner como vice-líder da equipe brasileira. 

Destinada a estudantes dos Ensinos Fundamental (a partir do 6º ano), Médio e Universitário das instituições públicas e privadas do Brasil, a OBM é uma realização conjunta do IMPA e da SBM.

“Um dos estímulos para criar a OBM foi selecionar para a IMO, já que o interesse do Brasil em participar da competição internacional veio antes. Era anormal selecionar alunos para uma olimpíada internacional com base em competições regionais”, disse Saldanha, que em 1979 participou da primeira OBM. 

Ao longo dos anos, a OBM passou por mudanças em seu formato, mas manteve a ideia central de estimular o estudo da Matemática pelos alunos, desenvolver e aperfeiçoar a capacitação dos professores e influenciar na melhoria do ensino, além de descobrir jovens talentos. 

A importância da olimpíada demorou a ser reconhecida pelos acadêmicos, afirma Gugu.

“Só a partir de 1998 que a OBM começou a se destacar, a ganhar prestígio na academia. Isso porque os efeitos foram percebidos na própria comunidade acadêmica, que passava a ser formada por pessoas que participaram da competição”, disse ele, que iniciou a trajetória na Matemática ao participar de olimpíadas.

Saldanha acrescentou que os pesquisadores não enxergavam as competições de forma positiva. “A verdade é que muitos desprezavam a olimpíada, achavam que era brincadeira de criança. Mas essas lideranças, felizmente, conseguiram rever suas ideias à luz das evidências. Começaram a ver a olimpíada como algo bacana, que deve ser prestigiado, que ajuda a pesquisa. Uma parte expressiva dos jovens matemáticos no Brasil começou em olimpíadas.”

Nas escolas, com a proliferação das competições de conhecimento, o cenário também melhorou. “Quando há poucas olimpíadas e algumas escolas têm um preparo mais forte, acabam premiando mais. Naturalmente, as que não têm esse preparo ficam receosas de se expor. Mas, com a criação de vários tipos de olimpíadas, todo mundo encontra espaço para ser feliz. A escola pode não ser premiada na olimpíada X, mas pode ser na Y. Tem olimpíadas que são bem generosas, como a Olimpíada Brasileira de Astronomia e a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas”, disse Motta.

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