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2 de agosto de 2019, 16:12h

Judoca mirim é vencedor no tatame e na Matemática

Campeão nos tatames e nas salas de aula, Gabriel Bastos Vasconcelos Duarte, de 12 anos, ostenta medalhas no judô e na Matemática. Tricampeão pernambucano no esporte, o menino foi o único representante do eixo Norte, Nordeste e Centro-Oeste a conquistar uma medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) Nível 1, em 2018. 

Aliadas, as duas paixões levaram Gabriel nesta sexta-feira (2) a conhecer o IMPA, acompanhado do pai, Gustavo Vasconcelos Duarte, mestre em Matemática e ex-atleta do esporte. O menino veio ao Rio representar Pernambuco no Campeonato Brasileiro de Judô, que acontece neste fim de semana. Aproveitou para visitar o instituto durante o 32º Colóquio Brasileiro de Matemática.

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Gabriel tem como ídolo nas olimpíadas científicas o pesquisador titular do IMPA Carlos Gustavo Moreira, conhecido no ambiente matemático como Gugu. Membro da Comissão Nacional de Olimpíadas Matemáticas da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), Gugu participou, nesta quinta-feira (1), de uma mesa-redonda para celebrar os 40 anos da OBM. Ele e Gabriel não chegaram a se encontrar no IMPA na manhã desta sexta.

Realização conjunta do IMPA e da SBM, a OBM é destinada a estudantes dos Ensinos Fundamental (a partir do 6º ano), Médio e Universitário das instituições públicas e privadas do Brasil. A prova do Nível 1 é para alunos das 6º e 7º anos.

“Quando Gabriel disse que queria participar da OBM em 2018, falei para ele esperar o 7º ano, para que tivesse condições de se sair melhor na prova, já que teria visto uma extensão maior do conteúdo aplicado”, comentou Gustavo sobre o filho.

Gabriel teve outra ideia. Combinou com o pai que no mês de julho se dedicaria aos estudos para a OBM. Durante 30 dias, na maioria das vezes, pela manhã, faria provas antigas da competição, para Gustavo corrigi-las ao final do dia. O pai abraçou o projeto.

“Está de férias, é professor, tem que trabalhar”, brincou Gabriel. 

O ótimo desempenho surpreendeu a família. “Quando ouvi que só tinha uma medalha de ouro para a região, não imaginei que seria dele. Gabriel se esforçou muito, mas esperávamos uma menção honrosa. Ficamos muito felizes.”

Além do destaque na OBM, Gabriel foi medalhista de ouro nas Olimpíadas Brasileiras de Informática (OBI) e Astronomia (OBA). Na OBMEP, ganhou prata. 

“Desde que nasci, a Matemática é meio que meu ambiente. Estudo com a minha mãe todas as matérias, mas, na hora de estudar Matemática, é com meu pai. Ele sempre me deixa três passinhos à frente do que estou aprendendo em sala de aula. Isso foi fundamental para eu gostar.”

O gosto pela Matemática vem de berço, mas Gustavo aponta o colégio como muito importante no desempenho do filho. “A escola dá muito apoio, com aulas olímpicas, e tira dúvidas. Se ele não tivesse esse estímulo, acredito que o voo não teria sido tão alto.”

Os princípios do judô empregados nos preparativos para a competição também influem no resultado. “O judô e a Matemática se ajudam. Ele usa o raciocínio da Matemática para o esporte e a disciplina do judô para o preparo para as olimpíadas.”

Após o campeonato no Rio, Gabriel vai ao Chile representar o Brasil no Campeonato Sul-Americano de Judô. No futuro, o pai espera que ele represente o país em olimpíadas internacionais de Matemática. “Quem sabe ele não vai para a IMO, né?”

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