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1 de agosto de 2019, 14:12h

Há um ano, Brasil iniciava o desafio de sediar o ICM

Foto: Bruno de Lima/R2

Há um ano, o Brasil encarou o desafio de ser o primeiro país no Hemisfério Sul a sediar o Congresso Internacional de Matemáticos (ICM, na sigla em inglês), o mais importante e tradicional encontro mundial da área. 

Realizado a cada quatro anos desde 1897 e organizado em parceria com o país-sede e a União Matemática Internacional (IMU, na sigla em inglês), na edição brasileira o evento reuniu, no Rio de Janeiro, 3.018 congressistas de 114 países, a partir de 1º de agosto.

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Participantes dos cinco continentes vivenciaram no centro de convenções Riocentro uma imersão matemática que durou nove dias. A maratona científica foi constituída de 21 apresentações plenárias, 910 palestras, 435 short communications e 475 pôsteres. 

Em entrevista à época, o presidente do Comitê Organizador do ICM 2018 e diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, disse que realizar o evento era “uma homenagem ao progresso alcançado em tão pouco tempo por um país onde a pesquisa matemática tem cerca de seis décadas”. Em janeiro do ano passado, o Brasil ingressara no Grupo 5 da IMU, composto por 11 países da elite da pesquisa matemática mundial.

O ICM 2018 foi aberto com uma homenagem à cultura brasileira. Índios das etnias kuikuros e carajás participaram do espetáculo de música e dança que precedeu o anúncio dos ganhadores da Medalha Fields, honraria máxima, equivalente ao Nobel. Concedida desde 1936, a láurea foi entregue ao curdo-iraniano Caucher Birkar, ao italiano Alessi Fegalli, ao alemão Peter Scholze e ao indiano Akshay Venkatesh. 

Foto: Christhian Rodrigues/R2

No mesmo palco onde os mais notáveis e promissores pesquisadores do planeta receberam a Fields, 576 estudantes da redes públicas e privadas receberam, no dia seguinte, a medalha de ouro conquistada na OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), competição realizada pelo IMPA desde 2005, com apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM).

Durante o Encontro, também foram agraciados Masaki Kashiwara (Medalha Chern), Constantinos Daskalakis (Prêmio Nevanlinna), David Donoho (Prêmio Gauss) e Ali Nesin (Leelavati). 

Além dos destacados estudos da área, o público acompanhou debates sobre temas prioritários para o progresso, como “Strengthening Mathematics in the Developing World” e “The Gender Gap in Mathematical and Natural Sciences from a Historical Perspective”.

Atenta à importância da popularização da Matemática, o ICM 2018 convidou importantes mestres em divulgação científica para ministrar palestras públicas no Ciclo IMPA-Serrapilheira. Cerca de 6.000 pessoas de idades e interesses diversos ouviram os inspiradores Cédric Villani (Institut Henri Poincaré), Ingrid Daubechies (Duke University), Étienne Ghys (École Normale Supérieure de Lyon), Rogério Martins, da série de televisão “Isto é Matemática” e Tadashi Tokieda (Stanford University).

Cédric Villani / Foto: Pablo Costa/ICM 2018

Por ocasião do ICM 2018, foram realizados no país cerca de 40 eventos-satélite científicos, entre eles o World Meeting for Women in Mathematics, o (WM)2, em 31 de julho, no qual foram discutidas questões de gênero na Matemática.

No Brasil, o evento integrou o Biênio da Matemática do Brasil 2017-2018, parte das ações nacionais e internacionais destinadas, entre outros objetivos, a incentivar o estudo da disciplina, popularizá-la e promover atividades que contribuam para aproximá-la do público.

Às vésperas do Encontro, Viana disse que a expectativa com o evento era “reafirmar o compromisso, a excelência e o prestígio do Brasil na Matemática”. Frisou, também, o desejo de que ela se torne mais popular. A julgar pelos números do site do ICM 2018, a missão foi cumprida: as 213 matérias, newsletters e redes sociais alcançaram 2,8 milhões de pessoas. 

No ICM 2018, foram anunciados os ganhadores do Prêmio IMPA-SBM de Jornalismo, lançado para incentivar a popularização da Matemática. Em sua primeira edição, foram inscritos 72 trabalhos nas categorias Matemática e Divulgação Científica.

“As sementes plantadas aqui por nove dias vão dar resultados nos próximos anos”, disse Viana, na solenidade de encerramento.

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