Navegar

29 de maio de 2019, 12:18h

Há 100 anos, eclipse comprovou a Teoria da Relatividade Geral

Há exatamente 100 anos, um eclipse observado na cidade cearense de Sobral foi a primeira prova experimental da Teoria da Relatividade Geral, publicada em 1915 pelo físico alemão Albert Einstein. O fenômeno constituiu uma das maiores conquistas científicas do século 20. Marcelo Viana analisa o fato histórico em sua coluna na Folha de S. Paulo desta quarta-feira (29).

O eclipse de Sobral teve duração de 6 minutos e 51 segundos e foi considerado um dos mais longos eclipses solares do século 20. Através das fotografias tiradas, foi possível concluir que as estrelas não ocupavam suas posições habituais e previstas no céu, o que era compatível com os cálculos feitos com base na teoria da relatividade.

Leia também: Prêmio IMPA-SBM de Jornalismo 2019 abre inscrições
A notável família matemática Bernoulli era problemática
Luciano de Castro é o novo pesquisador do IMPA
 

Mas a cidade brasileira não foi o único destino das expedições organizadas pela Real Sociedade Astronômica, do Reino Unido, com a missão de observar o eclipse solar. A Ilha do Príncipe, na costa africana, também recebeu uma equipe, chefiada pelo astrônomo inglês Arthur Eddington, mas, em função do tempo desfavorável, o eclipse não pôde ser observado com perfeição.  

Equipe brasileira que participou da pesquisa: Luiz Rodrigues (1º), Theophilo Lee (2º), Henrique Morize (4º), Allyrio de Mattos (7º), Domingos Costa (9º), Lélio Gama (10º), Antônio C. Lima (11º) e Primo Flores (12º). Equipe inglesa: Charles Davidson (5º) e Andrew Crommelin (6º). Equipe americana: Daniel Wise (3º) e Andrew Thomson (8º) / Foto: Observatório Nacional

No Brasil, a equipe chefiada pelo americano Andrew Crommelin, foi composta por importantes pesquisadores. Entre eles, estava Lélio Gama, astrônomo e matemático que viria a se tornar um dos fundadores do IMPA, em 1952.

Em celebração ao centenário, o município de Sobral tem promovido uma série de homenagens e eventos. Além da estátua de Einstein, inaugurada em março pela prefeitura na margem esquerda do rio Acaraú, centro de convivência na cidade, o fenômeno ganhou selo comemorativo dos Correios e marcou a reinauguração do Museu do Eclipse de Sobral, que estava fechado para reformas.

Estátua de Einstein, inaugurada em março pela prefeitura na margem esquerda do rio Acaraú, centro de convivência na cidade Foto: Marcel Rizzo/Folhapress

Desde segunda  (27), a exposição “Pelo Céu de Sobral”, com fotos alusivas ao eclipse solar visto por pesquisadores brasileiros e estrangeiros, está sendo apresentada na Casa de Cultura de Sobral, onde permanece até 29 de junho.

No mesmo local, pesquisadores do Observatório Nacional (ON) desenvolvem, até 31 de maio, atividades relativas ao eclipse e à relatividade geral, interagindo com estudantes do Ensino Médio da cidade.

No Rio de Janeiro, o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) e o Observatório Nacional inauguraram, nesta quarta-feira (29), a exposição “O Eclipse – Einstein, Sobral e o GPS”, alusiva à data, que tem como curador o diretor artístico e ator Marcello Dantas.

Leia também: Série de reportagens aborda ciência de ponta a ponta
IMPA abre seleção para analista administrativo