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20/04/2022

Em coluna na Folha, Viana fala sobre "polícia celestial"

Foto: Pixabay

Reprodução da coluna de Marcelo Viana na Folha de S.Paulo

Segundo a “lei” de Titius-Bode, formulada pelo alemão Johan Titius em 1766 e reiterada por seu compatriota Johann Bode em 1772, os raios das órbitas dos planetas em torno do Sol estariam em proporções dadas por uma certa sequência matemática: 0,4 (Mercúrio), 0,7 (Vênus), 1,0 (Terra), 1,6 (Marte), 2,8 (??), 5,2 (Júpiter) e 10,0 (Saturno).

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Para o planeta seguinte, caso existisse, seria 19,6. De fato, o raio orbital de Urano, descoberto por William Herschel em 1871, é 19,2 vezes maior que o da Terra. Mas, para fazer a lei funcionar era necessário postular a existência de um planeta desconhecido entre Marte e Júpiter, correspondendo ao valor 2,8. “Alguém acredita que o Fundador do universo deixaria esse espaço vazio? Claro que não.”, assegurou Bode.

Em 1800, a revista astronômica alemã “Correspondência Mensal” convidou 24 astrônomos para uma busca sistemática do planeta misterioso. Esse grupo, que ficou conhecido como “Polícia Celestial”, realmente encontrou três grandes asteroides.

Mas o primeiro, e maior de todos, foi observado pelo sacerdote e astrônomo italiano Giuseppe Piazzi (1746–1826) em 1 de janeiro de 1801, antes mesmo de receber o convite para integrar a Polícia Celestial. Piazzi chamou o novo astro “Ceres”, e publicou a descoberta na “Correspondência Mensal” em setembro desse ano.

O achado não pôde ser confirmado logo por outros astrônomos, porque no meio tempo Ceres ficara demasiado próximo do Sol no céu para poder ser observado. Voltaria a ficar visível ao final do ano, mas era muito difícil prever onde estaria após tanto tempo.

A situação foi salva pelo grande matemático Carl Friedrich Gauss, por meio de um novo método de cálculo de órbitas que desenvolveu em apenas duas semanas. Usando os seus cálculos, a Polícia Celestial reencontrou Ceres no céu em 31 de dezembro.

O trabalho de Gauss, publicado em 1809, também contém a afirmação de que ele vinha usando o “método dos mínimos quadrados”, uma das principais ferramentas do cálculo científico, desde 1795. Isso criou uma disputa com o francês Adrien-Marie Legendre, que fora o primeiro a publicar esse método, em 1805.

Para ler o texto na íntegra acesse o site do jornal

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