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18 de junho de 2019, 10:54h

Cátedra Jean-Morlet recebe Jorge Vitório em 2020

Marselha, a mediterrânea cidade da França, é o próximo destino do matemático Jorge Vitório Pereira, pesquisador titular do IMPA. Em 2020, ele passará seis meses associado à Cátedra Jean-Morlet, do Cirm (Centre International de Rencontres Mathématiques).

Lá, Jorge Vitório planeja desenvolver pesquisas em Geometria Complexa e Folheações Holomorfas, áreas em que é especialista. Sediado em Marselha, o Cirm é vinculado à Universidade Aix-Marselha e promove workshops com a participação de matemáticos e cientistas de todo o mundo. Anualmente, o Cirm recebe 3.500 visitantes por ano.

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Criada em 2013 em homenagem ao geofísico francês morto em 2007, a Cátedra Jean-Morlet é um programa de seis meses voltado a pesquisadores internacionais. Os visitantes atuam em parceria com os profissionais da universidade, com o objetivo de desenvolver trabalhos pioneiros em ciências matemáticas.

Jorge Vitório conheceu o IMPA em 1996, ao participar do Programa de Verão. À época, cursava Informática na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). “Cheguei à Matemática meio por acaso. Sempre tive a vontade de seguir a carreira acadêmica. Como me destaquei no Programa de Verão do IMPA, no curso de Análise na Reta, me ofereceram uma bolsa de mestrado. Depois, na UFRJ, troquei a Informática pela Matemática”, relembra Jorge Vitório.

Baiano de Salvador, o hoje pesquisador do IMPA mudou-se com a família ainda criança para Vitória (ES). A seguir, Macaé, cidade no litoral norte do Estado do Rio. Aos 15 anos, foi para Campos (RJ), onde cursou Escola Técnica. Três anos depois, aprovado no vestibular, veio morar no Rio.

Jorge Vitório conta que não teve uma inspiração familiar, de professores ou amigos nos rumos da escolha profissional. O pai, José Augusto, trabalhava na indústria do petróleo. Eliane, a mãe, era dona de casa e, mais tarde, foi aprovada em concurso público federal. O casal tinha, ainda, as filhas Yvonne e Maria Carolina. Era uma família de classe média típica, diz o matemático.

“Desde criança gostava de ciências. A Matemática não me chamava atenção. Muito novo, gostava de insetos. Depois, veio a fase da informática.”

No IMPA, concluiu o mestrado e o doutorado sob a orientação do pesquisador e ex-diretor-geral Cesar Camacho, com a tese “Métodos Álgebro-Geométricos na Teoria Global das Folheações Holomorfas”. “É uma área bastante técnica. Está na interseção da geometria algébrica, da topologia, da análise complexa e dos sistemas dinâmicas”, define.

Entre o fim do doutorado (2001) e a contratação pelo IMPA (2005), passou um ano na Universidade de Rennes (França). O currículo de Jorge Vitório inclui ainda passagens pela UCSD (Universidade da Califórnia, em San Diego), em 2014 e 2015, e três meses (dezembro 2017-fevereiro 2018) no FRIAS (Freiburg Institute for Advanced Studies), na Alemanha.

Jorge Vitório demonstra entusiasmo ao falar do IMPA. “Aqui, trabalhamos com condições ideais. Temos enorme liberdade para desenvolver nossas pesquisas. A carga de ensino é bastante modesta em comparação com as universidades. Trabalhamos com a nata dos estudantes do Brasil e, talvez, da América Latina. São alunos motivados e preparados”, conclui.

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