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24 de julho de 2019, 11:39h

'Ambiente aberto do IMPA possibilitou criação do Visgraf'

 

Luiz Velho e Jonas Gomes, em 1995, no Visgraf: sonho realizado

O matemático Jonas Gomes, do Conselho de Administração do IMPA, conta como transformou o sonho de ser cientista em realidade, com a criação do Visgraf, Laboratório de Computação Gráfica do IMPA surgido em 1989. 

Ser cientista era um sonho de infância, que vislumbrei que poderia concretizar ao descobrir que brasileiros poderiam ser cientistas. Sim, uma grande descoberta, para uma criança nascida em uma cidade do interior do nordeste, de origem humilde, na década de 50 do século passado. Perseguindo o meu sonho encontrei na Matemática o campo fértil para minha imaginação criativa, e no IMPA o ambiente ideal para desenvolver minhas habilidades e competências e me tornar um cientista, mais especificamente, um matemático.

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A minha curiosidade científica levou-me a fazer uma arbitragem de conhecimento entre a matemática pura, mais especificamente a Geometria Diferencial, e a tecnologia. Como usar a área de dados e imagens para obter simulações do universo abstrato da geometria diferencial? Como concretizar e visualizar os modelos das geometrias não-euclidianas? Foi essa minha iniciativa no ano de 1984 quando pouco se conhecia sobre o tema no Brasil, e até mesmo internacionalmente. Essa iniciativa possibilitou a conclusão do meu doutorado no IMPA. Todavia a iniciativa levou-me para longe do universo da matemática pura, minha paixão original, para o universo da aplicação da matemática, principalmente em problemas relacionados com computação gráfica, visão computacional e processamento de imagens.

Vislumbrando a pouca atuação dos centros de pesquisa em matemática em perseguirem essa trajetória, propus ao IMPA a criação de um grupo dedicado ao tema. Surge daí o Laboratório Visgraf. Um centro de excelência para o estudo das áreas de síntese e análise de imagens sob a ótica da matemática. Junto com o Visgraf vieram os programas de mestrado, doutorado e pós-doutorado na área. O IMPA tornou-se um centro mundial importante sobre o tema, publicando dezenas de trabalhos, formando pessoal altamente qualificado, desenvolvendo tecnologias de ponta, registrando patentes.

Ser cientista era um sonho, ser cientista empreendedor e criar um novo grupo de pesquisas é algo que vai muito além desse sonho. A concretização desse fato só foi possível devido ao ambiente aberto e de qualidade propiciado pelo IMPA.

Estou afastado das atividades acadêmicas há cerca de 20 anos, e é com grande satisfação que vejo o Visgraf completar 30 anos. Essa continuidade só foi possível pela grande qualidade dos pesquisadores que se juntaram ao projeto e assumiram sua liderança, em especial o Luiz Velho, um cientista empreendedor nato, que sempre entendeu e comprou a proposta do Visgraf, incorporou a alma e o coração do grupo após minha ausência e assumiu a difícil tarefa de liderar um grupo de pesquisas no Brasil.

Parabéns a todos o que colaboraram para a perenidade do Visgraf. Não é fácil fazer ciência de qualidade, mais difícil ainda é fazer ciência com qualidade internacional no Brasil. O Visgraf vem conseguido executar a visão que norteou sua criação: criar um grupo voltado para pesquisas em computação gráfica, visão computacional e processamento de imagens sob a ótica dos modelos matemáticos subjacentes a essas disciplinas.

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