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12 de março de 2019, 10:48h

Medalhista da OBMEP participa do 'Encontro com Fátima’

Em visita ao IMPA, Wellington elegeu a biblioteca como seu lugar predileto no instituto

Quando soube que viria ao Rio de Janeiro para participar do “Encontro com Fátima Bernardes”, da TV Globo, Wellington José da Silva Leite, 17 anos, estudante da rede pública de Alagoas, já sabia exatamente qual seria o item imperdível da curta permanência na cidade: uma visita ao IMPA.

Nesta terça-feira (12), véspera da participação no programa, a ser exibido ao vivo a partir das 10h50, o medalhista da OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas) conheceu o instituto e escolheu seu lugar predileto: a biblioteca. (O programa foi cancelado minutos antes de entrar no ar em decorrência da tragédia ocorrida na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, São Paulo. Dois jovens invadiram o local armados, mataram oito pessoas e cometeram suicídio).

“Quanto tempo eu tenho para ficar lá?”, perguntou o estudante ao matemático Krerley de Oliveira, professor da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), mestre e doutor pelo IMPA que acompanhou Wellington ao Rio, juntamente com Teresinha, mãe de Wellington.

O adolescente, que nasceu em Jundiaí e mora em Maceió há quase uma década, ganhou destaque ao conquistar duas medalhas em olimpíadas de Matemática no ano passado, estudando com a luz da rua. Ele ganhou prata na OBMEP e ouro na Olimpíada Alagoana de Matemática.

A energia da casa de Wellington foi cortada em maio de 2018. À época, o aluno da escola Onélia Campelo, da rede estadual de Alagoas, se preparava para as competições científicas. Com as aulas regulares e as de reforço pela manhã, o horário noturno era o único livre para realizar as tarefas que levava para casa.

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Durante a visita ao IMPA, Wellington conheceu conversou com outros estudantes, visitou salas de aula, ganhou um kit com livros de Matemática e um Aramat, a arara símbolo do Biênio da Matemática 2017-2018 e conheceu o único Gömböc que existe no Brasil. A peça é rara no mundo e corresponde a uma conjectura sobre o problema da estabilidade. 

Wellington entre Teresinha e Lucyan. Reprodução Folha de S. Paulo

O estudante aponta a força da mãe Teresinha, catadora de recicláveis, e o suporte do professor José Lucyan Mendonça como impulsionadores da conquista. Agora, se prepara para voos mais altos: quer ser cientista. Em janeiro, começou um curso de extensão no Departamento de Matemática da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e já está inscrito no Programa de Iniciação Científica (PIC) da OBMEP.

No ano passado, a OBMEP teve 18,2 milhões de estudantes inscritos. Em Alagoas, 350.497 jovens participaram da competição, dos quais 168 mil da rede estadual. O Estado conquistou 90 medalhas — 77 bronzes, 12 pratas e um ouro— e 447 menções honrosas.

O período de inscrições para a edição de 2019 terminará nesta sexta-feira (15). A inscrição deve ser realizada pelas escolas, por meio do preenchimento da Ficha de Inscrição disponível exclusivamente no site da OBMEP.

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