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7 de março de 2019, 14:20h

Estudando à luz de poste, jovem ganha medalhas de matemática

Reprodução da Folha de S.Paulo

Reportagem de Kátia Vasco

A energia da casa foi cortada em maio, exatamente no mesmo período em que o estudante da rede estadual de Alagoas, Wellington José da Silva Leite, 16, havia iniciado a preparação para a OBMEP, a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas.

Ainda assim, com o auxílio da luz do poste, posicionado perto da janela do quarto, ele conquistou duas medalhas na competição de 2018. Uma de ouro, na etapa estadual, e prata, na nacional.

A escola Onélia Campelo, onde ele cursou o 2º ano do ensino médio, fica na periferia de Maceió. Wellington Leite é filho de uma catadora de recicláveis e aponta a força da mãe e o apoio do professor como motivos da conquista.

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O horário noturno era o único livre para fazer as tarefas que levava para casa, após as aulas regulares e as de reforço.

A força de vontade impressionou o professor e orientador José Lucyan Mendonça, 32, que começou a ensinar na escola em que Wellington estuda em 2018. A preparação teve início em março com 25 alunos, e terminou com oito. As provas da olimpíada aconteceram em setembro.

Wellington Leite com a mãe, Teresinha Medeiros Leite, e o professor José Lucyan Mendonça

Ao todo foram mais de cem horas de estudos, das quais 78 de forma voluntária. Ele viu o potencial. “Foi muito gratificante ver essa evolução. Eu queria fazer algo para ajudá-lo porque é bom ver meu aluno crescer”, afirma.

O professor foi conhecer de perto a realidade do aluno e descobriu que, para estudar em casa à noite, Wellington levava o material ao quarto da mãe, na parte de cima da casa, pois o cômodo recebia iluminação direta do poste na rua. “Ele estudava em cima da cama dela, que ficava próxima da janela”.

A energia foi cortada quando a mãe do estudante parou de pagar e contestou os valores junto à concessionária.

A dívida se acumulou e chegou a cerca de R$ 1.500, que foi pago em dezembro por um grupo de voluntários, três meses após a Olimpíada, quando a história do aluno ganhou repercussão local.

Com a ajuda do poste e também de velas, ele resolvia desafios matemáticos do 3º ano, que ainda não cursava. Wellington diz que a mãe foi importante neste período. “Ela sempre trabalhou para me dar educação boa”.

Para ler o texto na íntegra acesse o site do jornal.

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