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24/01/2020

‘Tempero’ matemático: PROLÍMPICO motiva professores

“Questões olímpicas dão ‘tempero’ à matemática. Os problemas são contextualizados, criativos e provocadores. A matéria fica mais motivadora para os alunos.” É assim que Pablo Ganassim, professor de matemática há quase 30 anos, define a importância de incentivar a cultura olímpica na sala de aula. Grande entusiasta das competições, Pablo foi um dos palestrantes da 1ª edição do Programa de Aperfeiçoamento de Professores Olímpicos (PROLÍMPICO), realizado pelo IMPA. 

O PROLÍMPICO terminou nesta sexta-feira (24), com turmas presenciais no Rio de Janeiro e transmissão para 40 pólos em todo o Brasil. Foram quatro dias de evento com treinamento gratuito para professores de matemática, abordando assuntos ligados às olimpíadas matemáticas do ensino básico. Os vídeos das apresentações
estão disponíveis
e, em breve, todo o conteúdo será disponibilizado em PDF. 

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O coordenador do evento Krerley Oliveira aponta que os centros de transmissão distribuídos pelo país contribuíram para ajudar a difundir a cultura olímpica Brasil a fora. “Os professores que se apresentaram, levaram a experiência deles para outros que nem sempre trabalham com questões olímpicas. É a partir desta troca que nós vemos que é possível começar um grande programa de olimpíada nas escolas.” 

“Depois que um aluno participa de olimpíadas, você derruba mitos. Como, por exemplo, a ideia de que uma competição é só para alunos super talentosos, que nascem ‘abençoados’ com super-habilidades. Pelo contrário, a olimpíada é para todo mundo que se dispõe a pensar um pouco, se dedicar e ter a cabeça aberta para aprender”, completa Pablo. “O erro é achar que você não nasceu para aprender a lidar com os números, que nunca vai usar isso ou aquilo… Matemática é como uma escada: você só chega no último degrau passando pelo primeiro.”  

Daniele Cristina, que trabalha no município do Rio de Janeiro como agente de apoio à educação especial, assistiu às palestras do PROLÍMPICO. “A matemática vem do construtivismo. Ou seja, o erro abre portas, dá oportunidade para vários aprendizados. Sem dúvidas, isso é algo que vou levar para sempre e aplicar no meu trabalho.” 

As aulas também deram incentivo extra para professores que estão em busca de levar novos métodos para dentro de sala de aula. Betina Vath assistiu a aulas que “acrescentaram conteúdo, seja pela bibliografia sugerida, pelas sugestões dos professores ou pelos problemas propostos”, conta a niteroiense. “Também me fizeram voltar a temas que não estudava há anos, como teoria dos números.” 

O pernambucano Thiago Landim já aguarda pela próxima edição do PROLÍMPICO, ainda sem data definida. “Não sei quando será, mas espero conseguir vir ao Rio para participar.” Perto de se tornar matemático pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Thiago coleciona participações em olimpíadas matemáticas. “Já participei da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), da Olimpíada Ibero-americana de Matemática, da Competição Internacional de Matemática para Estudantes Universitários (IMC) e da Competição Iberoamericana Interuniversitária de Matemática (CIIM). Participar de olimpíadas abre portas, é muito além de seguir ‘só’ a universidade. Participar de olimpíadas matemáticas me ajudou e quero repassar isso a outros alunos. É muito bom ver que a cultura olímpica está sendo incentivada aqui!”, conclui. 

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