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13 de fevereiro de 2020, 18:23h

Petróleo e Energia são destaque em workshop no IMPA

“Vocês não têm ideia da satisfação que tenho em ver uma plateia interessada em projetos de matemática aplicada. Que diferença entre este momento e o início da minha carreira. É impressionante!”, afirmou Dan Marchesin. O pesquisador do IMPA foi um dos palestrantes da tarde do primeiro dia do Workshop Matemática e Indústria, que contou com apoio da Petrobras.

Marchesin falou sobre matemática e computação científica com foco na indústria do petróleo. A apresentação do matemático tratou da descrição de projetos da área de dinâmica dos fluidos no período entre 1987 e 2017, a maioria em colaboração com o CENPES/Petrobras. “Pesquiso a área do petróleo desde 1970, quando estava começando a fazer doutorado no Estados Unidos e comecei a analisar as possibilidades úteis no Brasil desde então.” 

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A confiabilidade de equipamentos usados na construção de poços de petróleo é um aspecto primordial da atividade, afirmou o engenheiro Danilo Colombo, da Petrobras. Em apresentação sobre o tema, realizada com Francisco Louzada, do ICMC-USP, Colombo falou sobre os desafios para extração nos campos offshore de águas profundas. 

Francisco Louzada, do ICMC-USP

“A questão do tempo é um problema para a atividade petrolífera. A diária de uma sonda de perfuração, por exemplo, pode chegar a R$ 1 milhão. Os poços são extremamentes complexos e cada falha resulta em um custo financeiro e de produção altíssimo.”

Para tratar da simulação de reservatórios, José R. P. Rodrigues, do Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes/ Petrobras) apresentou trabalho feito em parceria com o pesquisador da Uerj Luiz Mariano Carvalho. “Uma operação fundamental desses simuladores é a solução de sistemas de equações lineares de grande porte, que normalmente é a etapa que requer a maior quantidade de recursos computacionais.”

José R. P. Rodrigues, da Petrobras

Por causa dos fenômenos multiescala presentes nas complexidades geológicas dos carbonatos do pré-sal brasileiro, simular estes campos torna-se uma tarefa árdua. O problema do escalonamento foi tratado na palestra de Fabrício Simeoni, do ICMC-USP. Ele apresentou o projeto Multiscale Robin Coupled Method (MRCM), método multi-escala que confere flexibilidade nas escolhas de espaços de aproximação.

O pesquisador Marcio Murad, do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), abordou áreas da matemática aplicada que tem forte intersecção em reservatórios muito profundos, como é o caso do pré-sal brasileiro. Murad atentou para a necessidade de colaboração entre as áreas científicas. “A colaboração com geólogos, por exemplo, é extremamente importante, e pode render informações essenciais.”

Claudia Sagastizábal, do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica da Unicamp

“Gosto de pensar na matemática industrial e gestão de risco em ambientes competitivos como um jogo de tênis”, brincou a matemática Claudia Sagastizábal, do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica da Unicamp. A apresentação da argentina abordou questões como a alta volatilidade dos preços de mercado e a variabilidade nas atividades de exploração e produção, chamada de “risco volume”, na indústria do petróleo e gás. 

A programação do Workshop Matemática e Indústria continua nesta sexta-feira (14) e está disponível no site do IMPA.

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