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28 de agosto de 2019, 11:24h

No Blog Ciência & Matemática, as bolsas do CNPq e a OBMEP

Cerimônia de premiação da OBMEP 2017 – Foto: Christhian Rodrigues/R2

Reprodução do blog do IMPA Ciência & Matemática, de O Globo, coordenado por Claudio Landim

Fernanda A. da Fonseca Sobral Professora aposentada da UnB e Vice-Presidente da SBPC

Gilberto Lacerda SantosProfessor Titular da faculdade de Educação da UnB

Conforme anunciado na última semana, a partir do mês de setembro, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) promoverá a suspensão de bolsas de estudos de pós-graduados e de pesquisa avançada, caso não haja aprovação de créditos suplementares. A gravidade e os impactos negativos para a pesquisa científica e tecnológica em nosso país, decorrentes dessa suspensão, já foram amplamente divulgados, e a comunidade científica brasileira, de todas as áreas de conhecimento, brada forte em oposição à medida. Todavia, o anúncio dos cortes inclui também as bolsas de iniciação científica concedidas para medalhistas da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), estudantes de ensino médio de todo o país, em favor dos quais aqui também nos manifestamos.

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É fundamental que seja evidenciada a importância já bastante consolidada da OBMEP para o ensino de Matemática e das bolsas de iniciação científica para os medalhistas, no sentido de potencializar talentos e incentivar carreiras em uma área do conhecimento crítica e básica.

Realizada desde 2005 pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), a OBMEP tem como objetivos contribuir para a melhoria da qualidade da Educação Básica; identificar jovens talentos e incentivar seu ingresso nas áreas científicas e tecnológicas; incentivar o aperfeiçoamento dos professores das escolas públicas, contribuindo para a sua valorização profissional; integrar as escolas públicas com as universidades públicas, com os institutos de pesquisa e com as sociedades científicas; e promover a inclusão social por meio da difusão do conhecimento. São objetivos que por si só mereceriam ampliação desta importante política pública, ao invés de submetê-la a cortes orçamentários injustificáveis.

A OBMEP premia os alunos com medalhas de ouro, de prata e de bronze e certificados de menção honrosa, além de Bolsas de Iniciação Científica Júnior. Os professores das escolas públicas responsáveis pela inscrição dos alunos vencedores também são premiados com cursos de atualização e aperfeiçoamento no IMPA. Criado em 1952, o IMPA é uma das instituições mais respeitadas da ciência brasileira e um dos centros mais reconhecidos de pesquisa matemática no mundo.

Em trabalho de avaliação da OBMEP que conduzimos em 2010, ficou evidente que diferentes atores chave estão intrinsecamente associados ao sucesso da iniciativa e se beneficiam da mesma. Além da equipe diretamente envolvida em sua realização em todo o Brasil (diretoria acadêmica, coordenadores nacionais e regionais, pessoal de apoio técnico entre outros), milhares de gestores escolares e de professores e milhões de alunos e pais de alunos dão forma efetiva à olimpíada, tornando-a um empreendimento extremamente bem sucedido no que se refere a seu alcance geográfico. Em pouco mais de uma década, a OBMEP alcançou cerca de 18 milhões de alunos e mais de 54 mil escolas, tornando-se a maior olimpíada estudantil do mundo, e esse ataque irresponsável por meio do corte de um de seus principais seguimentos, as bolsas de iniciação científica, fraqueja seus tentáculos e compromete o projeto de futuro que a olimpíada deveria ajudar a construir.

A OBMEP procura, sobretudo, identificar o aluno talentoso, hábil em Matemática, a fim de colocá-lo em evidência, oferecer a ele um suporte moral e financeiro para que ele persista e avance com sucesso em estudos no campo da Ciência e da Tecnologia. Ainda que os alunos medalhistas já sejam talentosos, há um aumento significativo do interesse pela área de conhecimento na medida que as bolsas de iniciação científica os insere em contextos de estudos avançados, mesmo na condição de estudantes de ensino médio.

No que concerne ao suporte moral, ficou evidente a melhoria da autoestima dos alunos, pelo reconhecimento dos professores e da família. No que se refere ao suporte financeiro possibilitado pelas bolsas, diversos alunos apontaram que, além do insumo financeiro, a dinâmica acadêmico-científica decorrente de sua imersão em situações de iniciação científica é um fator crucial em sua decisão de prosseguir estudos nas áreas de Engenharias, Ciência da Computação e Matemática, carreiras preferidas pelos medalhistas, conforme evidenciou nosso estudo.

Para ler o texto na íntegra acesse o site do jornal

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