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18 de março de 2020, 11:28h

Viana fala do problema do coronavírus na Folha

Dimitar Dilkoff/ AFP

Reprodução da coluna de Marcelo Viana, na Folha de S.Paulo

A propagação do novo coronavírus vem crescendo exponencialmente: o número de casos no mundo, excluída a China, dobra a cada 4 dias em média. Claro que isso não vai continuar para sempre: à medida que o número de pessoas infectadas for aumentando, o vírus terá mais dificuldade para contagiar novos pacientes, e a exponencial dará lugar a uma curva mais lenta de crescimento, chamado logística.

Se as pessoas curadas ficarem imunizadas (isso ainda não é sabido), o próprio número de pacientes começará a diminuir naturalmente: a logística dará lugar a uma curva em forma de sino, com um valor máximo de casos a partir do qual a doença vai diminuindo. Então, por que precisamos nos preocupar?

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Embora ainda saibamos pouco sobre o coronavírus, a taxa de letalidade parece ser relativamente baixa. Inclusive, os especialistas acreditam que, de um jeito ou de outro, cerca de metade da humanidade acabará sendo infectada. Então, por que todo o auê?

O problema é que, além de ser quase duas vezes mais contagioso do que a gripe, o coronavírus pode apresentar sintomas graves, requerendo atendimento hospitalar para cerca de 20% dos pacientes (5% em tratamento intensivo). Isso é 60 vezes mais do que a gripe. No Brasil, se metade da população ficar doente ao mesmo tempo, e 20% dos pacientes precisarem de internação, serão necessários 21 milhões de leitos hospitalares!

Nenhum país do mundo dispõe de sistema de saúde capaz de atender essa demanda. Por isso, mesmo que não possamos impedir de todo a infecção, é fundamental retardar o seu avanço, de modo que o número de pacientes em cada momento nunca ultrapasse a capacidade do sistema de saúde.

O crescimento da doença depende essencialmente da taxa de contágio e do número de contatos de cada paciente infectado com pessoas saudáveis. Regras de higiene ajudam a diminuir o primeiro fator. Para o segundo, a única medida efetiva é reduzir o contato social. Até porque se acredita que pessoas sem sintomas podem ser portadores da doença e contagiar outros.

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