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22 de março de 2019, 10:40h

Medalhistas da OBMEP são aprovados no prestigiado MIT

Pedro e Orisvaldo são multimedalhistas em olimpíadas do conhecimento

A constante matemática mais popular, o Pi, grafada como π e celebrada mundialmente em 14 de março – alusão, em inglês, ao número infindável que inicia com os dígitos 3,14 – há de ficar na memória de dois medalhistas da OBMEP, não importa qual trajetória profissional sigam. 

O cearense Orisvaldo Salviano Neto, 18 anos, soube da aprovação para uma das mais prestigiadas instituições de ensino do mundo, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), no dia do Pi, comemorado na quinta-feira passada (14). Já o paulista Pedro Lucas Lanaro Sponchiado, também de 18, aplicou para a chamada early action e soube do resultado, adivinha em qual horário?, às 3h14 da tarde. Os dois partem para os Estados Unidos em agosto, com bolsa da instituição.

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A divulgação de aprovados do processo de admissão regular exatamente no dia do Pi é tradição no MIT. Ainda assim, Orisvaldo, medalha de ouro e de bronze na OBMEP, só checou se fora admitido por volta da meia-noite – a surpresa com o resultado está registrada no vídeo abaixo. Ele estava em Vinhedo (SP), participando de seletiva para uma competição na área de Astronomia.

“No Brasil, por conta do fuso horário, o resultado saiu às 7h28 da noite. Como eu faria uma prova às 20h, não queria olhar a mensagem antes para não correr o risco de me prejudicar, caso a resposta fosse negativa. Então, desliguei logo o celular”, conta ele, que nasceu em Fortaleza, mas passou a infância em Horizonte, a cerca de 50 quilômetros da capital do Ceará. 

Quando finalmente ligou o aparelho, foi surpreendido com a notícia, dada pelos pais, e inúmeras mensagens de congratulações. “Como eles tinham meu login, souberam logo e ficaram muito felizes, assim como eu. Eles sabem que o MIT era meu sonho há muito tempo”, detalha o estudante, que mora em um apartamento alugado em Fortaleza, com os pais, um irmão e uma irmã, ambos mais novos.

Depois de estudar no Colégio Educandário Joaquim Domingos, em Horizonte, ele foi para Fortaleza, onde passou pelo Antares, Colégio Militar de Fortaleza e, no Ensino Médio, ganhou bolsa de estudos para o Ari de Sá. Nos últimos anos, mudou de ideia algumas vezes sobre a sua trajetória acadêmica, indeciso entre áreas como física, química e astronomia, mas sempre com foco no MIT. 

“Lá, é possível fazer disciplinas de vários cursos nos dois primeiros anos. Há muito liberdade para escolha”, diz ele, que acredita ter sido aprovado também pela participação e desempenho em olimpíadas do conhecimento, como a OBMEP: “Só por causa das olimpíadas fui exposto ao mundo fora de sala de aula. Elas abriram muitas portas”, avalia Orisvaldo, que já conquistou cerca de 30 medalhas em competições nacionais e internacionais de diversas áreas do conhecimento, entre elas, um bronze na Olimpíada Internacional de Química, na República Tcheca, no ano passado.

Pontuação perfeita em olimpíada internacional

Que o diga Pedro, de Santa Cruz do Rio Pardo. Ano passado, ele foi até a Romênia como integrante do Brasil na mais antiga e renomada olimpíada científica para estudantes do Ensino Médio, a IMO – sigla, em inglês, para Olimpíada Internacional de Matemática. Lá, virou destaque: acertou 35 dos 42 pontos possíveis nas duas provas e trouxe um ouro. Pedro ficou em 12º lugar na colocação geral entre os quase 600 participantes. 

Em 2018, na 59ª IMO, Pedro (3º da dir. para esq.) conquistou um ouro para o Brasil

Não foi o único ouro conquistado em 2018. Na última edição da OBMEP, repetiu o feito, como aluno do Colégio Etapa. A pontuação perfeita obtida na Olimpíada de Matemática da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em 2015, também rendeu ouro e levou o Brasil ao 1º lugar geral da competição. 

Os resultados obtidos nas olimpíadas, sem dúvida, ajudaram na boa nova recebida do MIT, considera o estudante, também ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM).

“Lá, diferentemente de outras universidades que são destaque nos Estados Unidos, eles dão um peso maior para conquistas acadêmicas como as olimpíadas do conhecimento. De fato, isso me ajudou bastante, principalmente a participação em olimpíadas internacionais”, enfatiza, contando que está se preparando para as seletivas da IMO 2019 e já foi selecionado para a Olimpíada Internacional de Informática, no Azerbaijão, em agosto. 

Além do desempenho, o estudante paulista acredita que a participação nas olimpíadas seja levada em conta porque mostra a dedicação do aluno. “Mais do que provar que você é bom, essas competições mostram que você investiu bastante tempo em algo. Eles gostam de ver que, em geral, você tem foco”, diz ele, que mora com o pai e dois irmãos mais novos, em São Paulo.

Pedro ainda não se decidiu sobre a área que pretende seguir, mas Matemática e ciência da computação estão na mira. “A intenção é explorar as várias possiblidades”, adianta o estudante, que já tem bolsa garantida no MIT.

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