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23 de agosto de 2019, 10:56h

IMPA promove Escola de Topologia Simplética

A matemática Ailsa Macgregor Keating, da Universidade de Cambridge (Inglaterra), fez palestra sobre categoria de Fukaya e simetria especular, nesta quinta-feira (22), no auditório Ricardo Mañé, no IMPA. A apresentação integra a programação da Escola de Topologia Simplética, que começou nesta segunda-feira (19) e termina hoje (23). 

Promovido pelo IMPA, o evento faz parte do semestre temático sobre geometria simplética e de Poisson. O objetivo é contribuir para o desenvolvimento da área no Brasil, incentivando a colaboração de pesquisadores brasileiros e estrangeiros, bem como a formação de mestres e doutorandos. 

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“A Escola é muito importante porque é uma forma de preparar os participantes, especialmente os alunos, para as palestras que serão proferidas na Conferência Internacional em Topologia Simplética, que acontecerá de 26 a 30 de agosto”, disse Vinicius Ramos, pesquisador adjunto do IMPA e membro do comitê organizador e científico do evento.

Pela primeira vez no Rio de Janeiro, Ailsa integra o grupo dos 20 pesquisadores que apresentarão seus trabalhos na conferência. Na palestra desta quinta, ela falou sobre variedades simpléticas. 

“Uma das razões para as variedades simpléticas serem tão interessantes é porque existe uma correspondência matemática natural com as variedades complexas, que são basicamente definidas por equações polinomiais”, apontou Ailsa em entrevista ao IMPA.

Além de se interessar pela área por ser relativamente nova dentro da geometria e topologia, com muitas questões básicas que ainda não foram compreendidas, a pesquisadora conta que também se encanta com as diversas conexões com outros campos, em especial a Física Teórica. 

Dedicada a questões circunscritas ao mundo da Matemática Pura, Ailsa destaca a importância de investimentos na área.

“É muito claro que a Matemática Aplicada é extremamente importante para vida cotidiana. Por outro lado, se você olhar para toda a Matemática Pura que nós conhecíamos por volta de 1920 e 1950, quase toda está sendo aplicada atualmente. Mesmo coisas que, à época, se pensava que não teriam nenhuma utilidade.”

A pesquisadora ainda abordou a questão da diversidade de gênero na Matemática. “A razão de haver menos mulheres na área é também social. Acho uma pena porque a Matemática é ótima e parece que estamos perdendo oportunidades. Mas há muitos esforços que estão sendo feitos para encorajar as mulheres a seguirem na carreira científica. Nos últimos 15 anos, já houve muitas mudanças, não necessariamente em termos de números, mas nas atitudes das pessoas, que estão passando a reconhecer o problema.” 

Além da palestra de Ailsa, os 52 participantes do evento acompanharam as apresentações de seis pesquisadores ao longo da semana. Os cursos podem ser assistidos no canal do IMPA no Youtube. Nesta sexta-feira (23), Vinicius Ramos encerra o ciclo de palestras, abordando o tema homologia de contato mergulhada.  

Além de Ramos, integram o comitê organizador e científico do evento Marta Batoréo (Universidade Federal do Espírito Santo – UFES), Daniele Sepe (Universidade Federal Fluminense – UFF) e Renato Vianna (Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ). 

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