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14/02/2022

Doutorando se apaixonou pela matemática na OBMEP

A semente plantada pela OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Pública) levou o doutorando do IMPA Eduardo dos Santos Silva a se apaixonar pela disciplina na juventude. Formado em física pela Universidade Federal de Alagoas e pela Universidade Complutense de Madrid, ele decidiu seguir carreira na matemática a partir da participação na competição. Mestre pelo IMPA, Eduardo apresenta, na próxima quinta-feira (17), a tese de doutorado “Degenerações de séries lineares para curvas com três componentes, usando representações de aljavas”. Orientado pelo pesquisador Eduardo Esteves, a apresentação do trabalho, às 10h30, será transmitida pelo YouTube do IMPA.

“Até ganhar minha primeira medalha de ouro na OBMEP e viajar para a premiação no Rio de Janeiro, achava que nunca iria sair de Alagoas. No ensino médio, conheci vários colegas que participavam de olimpíadas de conhecimento e, estudando para as provas, me apaixonei por ciência”, afirma. O doutorando optou pela física na graduação, mas depois foi atraído pela “beleza” da matemática. “À medida que fui avançando no curso, a física foi perdendo em ‘beleza’ e a matemática ficava cada dia mais bonita e atraente. Quando fiz o primeiro curso de álgebra no IMPA foi amor à primeira vista. Então decidi estudar geometria algébrica como área de pesquisa”, explica.

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Silva entrou no IMPA em 2015 para um mestrado em matemática aplicada na área de fluidos, mas acabou se interessando pela matemática pura e, mais especificamente pela álgebra, assunto da tese que será apresentada na quinta-feira. O trabalho foca em séries lineares, degenerações e representações de aljavas. “Comecei a estudar meu problema no fim do mestrado quando o professor Olive Lorscheid pediu para eu estudar sobre as Grassmannianas de Aljavas. O que me motiva é que realmente vejo beleza em fazê-lo e sei que toda a matemática feita hoje será útil no futuro para sociedade. Resultados de geometria algébricas obtidos anos atrás têm, até hoje, aplicações para armazenamentos de dados, criptografia e robótica”, detalha o doutorando.

A pandemia afetou bastante a pesquisa durante o doutorado, mas o apoio do orientador Eduardo Esteves foi fundamental. “O doutorado foi marcante, pois pesquisar algo novo e de grande relevância que nunca foi feito por ninguém, algo bem mais difícil e legal do que um dia imaginei. Com a pandemia, perdi a interação com vários colegas e o ambiente do IMPA, o que foi muito difícil. Nesse aspecto, meu orientador foi fundamental.  Ele me ensinou muito mais do que só matemática, me ensinou a pesquisar com seriedade, dedicação e ética pois, como pesquisadores, estamos em uma posição primordial para o desenvolvimento da sociedade”, elogia o doutorando.

Agora, Eduardo espera que, com seu trabalho, possa influenciar outros jovens a seguir pelo caminho da matemática e da ciência em geral. “A matemática para mim representa uma potente forma de arte para a sociedade. Como matemático, acho minha área tão bonita que alguns resultados podem ser contemplados como uma obra de arte. E sem dúvida a sociedade colhe os frutos. Por exemplo, o avanço dos robôs conta com a ajuda dessa arte. Espero que um dia eu possa incentivar pessoas a entrar e seguir na matemática e na ciência assim como ocorreu comigo”, diz ele.

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