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21 de novembro de 2019, 10:53h

Computador quântico pode quebrar toda criptografia atual

Foto: Lionel Bonaventure/AFP

Reprodução da coluna de Marcelo Viana, na Folha de S.Paulo

O novo computador quântico da Google tem apenas 53 qubits, exige uma instalação de milhões de dólares e precisa ser mantido a 273º graus negativos (muito mais frio que o espaço interestelar)! Em outubro, essa máquina fez em minutos um cálculo que levaria 10 mil anos no supercomputador mais rápido do mundo. 

Como expliquei semana passada, computadores quânticos processam a informação em qubits, unidades básicas que tiram proveito das estranhas descobertas da mecânica quântica para realizar cálculos de modo diferente e vertiginosamente rápido. A possibilidade de construir esses computadores foi aventada há quatro décadas. O problema é que qubits são extremamente difíceis de fabricar e manter, já que são destruídos pelas interações com o ambiente.

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Enquanto os engenheiros não resolvem as dificuldades práticas de se construir um computador quântico funcional, os matemáticos vêm trabalhando para tornar o projeto empolgante. Em 1998, fui palestrante do Congresso Internacional de Matemáticos, em Berlim. A estrela do congresso foi o americano Peter Shor, que apresentou a prova matemática de que computadores quânticos, quando existirem, serão capazes de fatorar rapidamente números muito grandes.

Isso é revolucionário, porque os principais métodos modernos de criptografia estão baseados no fato de que fatorar números é um problema difícil para os computadores clássicos. Em resumo, quem dispuser de computadores quânticos poderá quebrar toda a criptografia atual…

Ainda estamos longe. O maior número já fatorado por um computador quântico usando o método de Shor foi apenas 21. Para ter utilidade prática, é preciso ser capaz de fazer o mesmo para números com centenas de dígitos. E isso exigirá alguns milhares de qubits. Porém, tal como os voos precários dos pioneiros da aviação, o experimento da Google prova que um dia o sonho será realidade.

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