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2 de julho de 2019, 10:54h

As probabilidades de uma britânica se tornar carioca

Quando a britânica Natasha Naina Morrison chegou ao Brasil para fazer o pós-doutorado no IMPA, em 2018, descobriu nas páginas do livro “How to be a carioca” dicas valiosas para viver como autêntica moradora do Rio de Janeiro. Aprendeu a primeira lição durante a clássica feijoada de domingo. A matemática não fazia ideia de que era normal chegar duas ou três horas atrasado para uma festa. Agora, está se tornando melhor nisso. “Estou me tornando muito carioca”, brinca. 

Graduada em Matemática pela Universidade de Durham (2012) e doutorado pela Universidade Oxford (2018), Natasha tem uma ampla gama de interesses de pesquisa, principalmente nas áreas de combinatória extremal e probabilística. Alguns dos temas em que atua são a teoria dos grafos extremais; grafos e processos aleatórios; coloração de grafos; percolação bootstrap e autômatos celulares relacionados; e teoria de Ramsey.

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“Gosto muito de fazer o pós-doutorado no IMPA. O instituto tem um ótimo grupo de combinatória e um ambiente agradável para pesquisas”, diz Natasha, que também integra o programa de pós-doutorado do Sidney Sussex College, da Universidade de Cambridge.

Em termos muito amplos, a pesquisa que desenvolve pode ser entendida como o estudo de redes. “O Facebook – ou qualquer grupo de pessoas – é uma rede. Podemos imaginar as pessoas como nós e, se duas delas forem amigas, estarão ligadas nesta rede. Minha pesquisa engloba a estrutura e propriedades das redes”, explica.

Em julho, Natasha participará do 32º Colóquio Brasileiro de Matemática. Ela abordará o trabalho que desenvolveu, com o pesquisador e orientador Robert Morris e os alunos Marcelo Campos (Mestrado) e Letícia Mattos (Doutorado), para obter uma cota superior para a probabilidade de uma matriz aleatória ser singular.

Filha de pai britânico e mãe indiana, a matemática crescida em Oxford nem sempre sonhou em seguir carreira na área. Apesar de gostar e ter facilidade com a disciplina na escola, a britânica, como muitas crianças, queria abraçar o mundo. Veterinária, atriz e até mesmo cantora foram algumas das profissões que estiveram em sua lista de desejos.

No final, a curiosidade pelos números venceu, mas Natasha encontrou uma maneira de unir os diferentes interesses. Com o amigo Fábio Botler, matemático na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), montou a banda “The Taylor Series”, uma referência matemática.

Se a carreira em Matemática não der certo, brinca Natasha, há ainda a possibilidade de se dedicar aos esportes. Em agosto, correrá a Meia Maratona do Rio. Em outubro, a de Oxford. Em 2018, correu o “Oxford Town and Gown 10K for Muscular Dystrophy UK”,  com mais três matemáticos. Também começou a aprender a esquiar.

Natasha se despede do Rio em setembro, quando termina o pós-doutorado no IMPA. A experiência em terras brasileiras vai deixar saudades. “Eu gosto muito do Brasil. Todos são muito amigáveis e solícitos”, declara. 

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