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22 de junho de 2019, 10:34h

Aplicativo do Visgraf integra exposição da Imaginary

Que tal criar música e aprender Matemática ao mesmo tempo? Se você ficou interessado, a exposição “La La Lab – The Mathematics of Music”, em cartaz até dezembro em Heidelberg (Alemanha), reúne formas inovadoras de vivenciar a experiência. Uma delas é o “Graph Composer”, aplicativo desenvolvido por pesquisadores do Laboratório de Computação Gráfica (Visgraf) do IMPA.

Iniciativa da mundialmente conhecida Imaginary, organização alemã sem fins lucrativos destinada à disseminação da Matemática, “La La Lab” foi concebida em colaboração com pesquisadores renomados de vários países e será exibida até dezembro em Heidelberg. Depois, torna-se itinerante. Além de ferramentas e conceitos básicos sobre a teoria musical, ela traz as últimas tendências em pesquisa na área.

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Não é necessário ir até a Alemanha para conhecer o “Graph Composer”. O programa está disponível para download na plataforma on-line da Imaginary, juntamente com programas e projeções que revelam as surpreendentes conexões entre Matemática e música. Desde 2008, a organização alemã disponibiliza conteúdos para exposições, já realizadas em cerca de 160 cidades em todo o mundo.

Desenvolvido para concorrer à chamada aberta pela Imaginary, o aplicativo open source idealizado pelo doutorando Pedro Souza, com o pesquisador Vitor Rolla e o doutorando Ezequiel Sánchez, permite ao usuário criar composições através de grafos com o simples movimento de dedo em uma colorida tela touch-screen.

Pedro (à esq.), Ezequiel e Vitor: trabalho em sinergia no Visgraf

A ideia é que o usuário possa entender, de forma lúdica, como funciona um grafo, objeto matemático usado para representar relações entre as coisas e que consiste em um conjunto de vértices (ou nós) e arestas que os conectam.

No caso do “Graph Composer”, onde são representados padrões musicais, cada nó corresponde a uma nota musical. As arestas que conectam os nós definem um caminho, que corresponde à ordem com que as notas são tocadas. O grafo tem um nó inicial. Depois, o usuário cria novos nós e os conecta, criando seu próprio caminho. Resultado de um passeio aleatório pelo grafo, a composição é ouvida em tempo real. 

“Há várias possibilidades. Você pode brincar, fazer um desenho, ver o que vai acontecer. A ideia é que qualquer pessoa consiga fazer algo que soe bem”, explica Pedro, que ingressou no doutorado do IMPA em 2017. Para desenvolver o aplicativo, foram usadas várias linguagens de programação, como ChucK e C#.

Segundo ele, o aplicativo tem uma tela praticamente isenta de informações – as existentes estão dispostas em um suscinto tutorial. “A proposta é a pessoa mexer, brincar e, com o tempo, descobrir o que pode ser feito.”

Graph Composer integra a exposição La La Lab, em cartaz em Heidelberg, na Alemanha

Considerando o que Pedro viu em Heidelberg, o aplicativo alcançou o pretendido. “Na exposição, as pessoas brincavam com o programa e aprendiam um pouquinho. Como se fosse um jogo. Foi muito interessante”, relata o doutorando, acrescentando que o evento reuniu públicos de diversas idades e áreas do conhecimento.

Pesquisador líder do Visgraf, Luiz Velho observa que o “Graph Composer” revela como o trabalho no Laboratório de Computação Gráfica do IMPA é desenvolvido, ou seja, de forma colaborativa: “É um trabalho de grupo, mas foi mais o Pedro quem o implementou. Ezequiel e Vitor ajudaram na concepção. Eu também orientei. É o jeito que a gente trabalha aqui”.

Além da sinergia que impera no Visgraf, Velho vê o “Graph Composer” como uma continuidade de um caminho iniciado em 2017, com o Biênio da Matemática, proposto pelo IMPA e regulado pelo Congresso Nacional por meio de lei ordinária. Durante dois anos, dezenas de atividades de popularização da disciplina foram realizadas no Brasil, como o Festival da Matemática e Congresso Internacional de Matemáticos (ICM), o mais importante encontro da área, sediado no Rio em 2018.

Luiz Velho: “Depois do “Graph Composer” teremos outros desdobramentos”

“O Visgraf ajudou a preparar exposições da Imaginary no Festival da Matemática. Depois, o projeto Holo-Math, também da Imaginary, fez parte da programação do ICM e também ajudamos. Soubemos da chamada para a ‘La La Lab’, mandamos o trabalho e fomos convidados”, detalha Velho.
A participação de Ezequiel, Pedro e Vítor na conferência da Imaginary no Uruguai, em dezembro, com o trabalho “Live Coding, hands-on workshop”, e as atividades do evento internacional sobre Live Coding, realizada pelo Visgraf em janeiro, no IMPA, também fazem parte deste processo.

“Uma coisa vai ligando a outra. Depois do “Graph Composer” teremos outros desdobramentos”, adianta o pesquisador. Em breve, por exemplo, o aplicativo terá uma nova funcionalidade: será possível salvar e fazer o download das composições criadas. 

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