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17 de dezembro de 2018, 19:15h

IMPA lança o projeto Meninas Olímpicas, com apoio do CNPq

Há alguns anos, o IMPA tem implantando iniciativas para incentivar a maior participação de meninas em atividades e olimpíadas de Matemática, na tentativa de diminuir as barreiras ao acesso do público feminino no cenário científico.

Uma dessas medidas foi a inclusão da European Girls’ Mathematical Olympiad (EGMO) no calendário de olimpíadas do saber disputadas pelas equipes treinadas pela Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM). Outra, a criação do Troféu Meninas Olímpicas na Olimpíada Internacional de Matemática (IMO) e na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP).

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A novidade é que, a partir de 2019, mais meninas terão apoio e treinamento para se destacar nessas competições. Para isso, foi criado o Programa Meninas Olímpicas do IMPA.

Com apoio do CNPq, o projeto visa promover a efetiva presença de meninas em atividades ligadas à Matemática, inclusive nas olimpíadas escolares, para que elas possam se interessar e desenvolver carreiras no âmbito científico e tecnológico.

Marcelo Viana, diretor-geral do IMPA, comenta a importância da iniciativa: “Ficamos muito empolgados com a aprovação do projeto Meninas Olímpicas do IMPA. O IMPA vem participando cada vez mais nas importantes questões da educação básica no nosso país, e este edital do CNPq nos proporciona contribuirmos para melhorar a distribuição de gênero na nossa área, em colaboração com as escolas da educação básica nossas parceiras”.

Como funciona


Inicialmente, o Programa Meninas Olímpicas do IMPA contará com a participação de cinco escolas públicas do Estado do Rio de Janeiro: Colégio Pedro II, campus Humaitá (Zona Sul do Rio); Escola Municipal Alberto José Sampaio (Taquara, Zona Oeste); Colégio Militar do Rio de Janeiro; Colégio Estadual Matemático Joaquim Gomes de Sousa-Intercultural Brasil China (Niterói, cidade na Região Metropolitana); e Escola Municipal Meninos de Deus (Nova Iguaçu, município na Baixada Fluminense). 

A coordenação geral ficará a cargo de Leticia Rangel, docente aposentada do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela comandará os cinco coordenadores da iniciativa nas escolas, que serão auxiliados por cinco alunas de licenciatura em Matemática. O CNPq arcará com os custos das bolsas para os coordenadores e três licenciandas, enquanto o IMPA absorverá os custos das outras duas bolsas das alunas de licenciatura.

Leticia diz que o tema do projeto é desafiador. “Aproximar as meninas da ciência não é só uma questão no Brasil, mas em todo o mundo. Refletir e agir sobre isso é importante.”

Para a coordenadora do Meninas Olimpíadas do IMPA, o IMPA acertou ao escolher a olimpíada como ponto de partida. 
“A escolha do projeto e focar no treinamento para olimpíadas pode ser um caminho importante porque não atende só as meninas. Alcança também os professores e pode mudar a forma deles perceberem as alunas, ver se estão motivadas para agir com outro olhar”, destaca.

As equipes desenvolverão, em cada escola, atividades motivadoras e educativas complementares para turmas de alunas. A ideia é que os encontros sejam semanais. Também acontecerão sessões de preparação das alunas para as olimpíadas escolares, além de visitas das escolas participantes ao IMPA para atividades como palestras e oficinas. Haverá ainda a elaboração de projetos de popularização da Matemática nas escolas participantes, que deverão ser apresentados pelas alunas e professores na própria escola e no Festival da Matemática e Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2019. 

As atividades acontecerão durante o decorrer 2019, de acordo com o calendário escolar de cada instituição. As turmas não terão limites do número de meninas e meninos participantes, mas cada uma terá apenas três bolsas de iniciação científica júnior para as alunas escolhidas pelos coordenadores. 

A contrapartida das bolsistas é a elaboração e apresentação de projeto de divulgação da Matemática no Festival da Matemática. Vale destacar que, embora meninos possam participar das atividades do programa, apenas meninas poderão ganhar as bolsas de iniciação científica júnior.

Leticia Rangel ressalta que o projeto não destacará as diferenças entre o acesso de alunas e alunos à ciência, para que a questão não seja encarada como uma dificuldade. 

“Queremos que elas percebam que o acesso à Matemática e às ciências exatas, em geral, é natural, para que não encarem isso como um desafio a mais, mas como parte de um processo no qual estão inseridas. A participação das licenciandas é fundamental, porque vai desencadear uma mudança que levarão para suas vidas”, conclui. 

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