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13 de dezembro de 2018, 13:39h

Rangel Baldasso ganha Prêmio Capes de Tese 2018

A tese do gaúcho Rangel Baldasso, medalhista da OBMEP e doutor pelo IMPA, foi escolhida como a melhor do ano na categoria Matemática/Probabilidade e Estatística. A cerimônia de premiação será transmitida ao vivo, a partir das 16h30, no canal oficial da Capes no YouTube.

É o quarto ano consecutivo que um trabalho defendido no Instituto de Matemática Pura e Aplicada é reconhecido com o Prêmio Capes de Tese. Oito doutores do IMPA receberam a distinção, entregue pela primeira vez em 2006, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A premiação consiste em diploma, medalha e bolsa de pós-doutorado nacional de até 12 meses para autor da tese.

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Na cerimônia, serão premiados 49 pesquisadores, de diferentes áreas do conhecimento, por trabalhos de doutorado defendidos ao longo de 2017. Durante o evento, serão anunciados os três vencedores do Grande Prêmio Capes de Tese, concedido em três campos: saúde, humanas e científica. Serão entregues ainda menções-honrosas para 81 trabalhos.

Em “Decoupling and noise sensitivy for models with conservative dependencies”, orientada por Augusto Quadros Teixeira e coorientada por Daniel Ahlberg, da Stockholm University, Baldasso, pesquisador da área de probabilidade, estudou modelos matemáticos que apresentam alguma forma de dependência. Segundo ele, o tema foi sugerido por Teixeira.

“Acredito que é um reconhecimento importante para ao meu trabalho como cientista e que serve como confirmação de que o que eu tenho interesse em estudar também desperta interesse em outras pessoas da comunidade científica”, disse Baldasso ao Portal Capes.

Na tese, observou Teixeira, Baldasso abordou vários assuntos diferentes, como percolação, problemas de detecção e passeios aleatórios. “É uma diversidade de tópicos impressionante para um trabalho de doutorado e somente foi possível graças à perseverança e capacidade dele de transitar entre diferentes temas, encontrando conexões entre eles”, destacou.

Para Teixeira, além de ter encontrado respostas para diversas questões importantes, a tese abriu caminhos para futuras investigações. “O trabalho resolve diversas perguntas, mas também abre uma série de questões para futuras investigações. Ainda ouviremos falar dessas perguntas em breve”, avaliou.

Em setembro de 2017, ao defender a tese, Baldasso citou como exemplo de modelos com alguma dependência a variação da temperatura no tempo, considerando um copo de água: se ele está quente, pouco tempo depois, ainda vai estar quente; por outro lado, se estiver frio, ele não vai esquentar sozinho. “O objetivo foi entender melhor como essas dependências decaem com o tempo.”

Na época, ele observou que o trabalho é mais teórico. “A esperança é que, algum dia, alguém consiga, com a ajuda do que eu estudei, entender algum modelo um pouco mais complicado, até que possamos chegar a modelos realistas.”

Medalhista da OBMEP e aluno do Programa de Verão

O contato de Baldasso com o IMPA começou muito antes do doutorado. Em 2005, ano de criação da OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), participou da competição e ganhou uma medalha de ouro. A conquista, segundo ele, representou um ponto de virada em relação ao interesse pela Matemática.

Baldassou participou do Programa de Iniciação Científica (PIC Jr.) da OBMEP e depois ingressou no bacharelado com ênfase em Matemática Pura na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Antes de entrar para o doutorado no IMPA, participou do Programa de Verão do Instituto. Atualmente, ele faz pós-doutorado na Universidade de Bar-Ilan (Israel).

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