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25 de março de 2019, 13:17h

Professor de Matemática ganha Global Teacher Prize

Foto: Varkey Foundation

Por transformar o ensino de Matemática e Física para alunos de diferentes etnias e religiões, em situações extremamente precárias em uma região remota do Quênia, Peter Tabichi, 36 anos, foi escolhido o melhor professor do mundo e premiado com US$ 1 milhão. A atuação do queniano foi reconhecida no Global Education and Skills Forum, realizado em Dubai (Emirados Árabes) neste domingo (24).

O Global Teacher Prize é concedido anualmente pela Varkey Foundation, organização sem fins lucrativos que premia professores que fizeram contribuições excepcionais à educação.

Membro da Ordem Franciscana, Tabichi criou um clube de formação de talentos e expandiu o Clube de Ciências da escola, ajudando os alunos a fazer projetos de pesquisa de tal qualidade que, agora, 60% deles se qualificam para competições nacionais. 

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Em 2018, os alunos de Tabichi alcançaram o primeiro lugar, na categoria de escolas públicas, na Feira de Ciência e Engenharia do Quênia, com a apresentação do dispositivo inventado para que cegos e surdos possam medir objetos.

A equipe de Ciências Matemáticas se qualificou para participar da Feira Internacional de Ciências e Engenharia INTEL 2019, no Arizona (EUA). Os alunos também ganharam um prêmio da Royal Society of Chemistry depois de empregar as plantas locais na geração de eletricidade.

As realizações ocorreram na Escola Secundária Keriko Mixed Day, no vilarejo de Pwani. Além de lidar com problemas muito comuns aos professores de áreas críticas no Brasil, como tráfico de drogas, gravidez na adolescência, abandono escolar e suicídio, Tabichi precisa encarar a falta de infraestrutura da escola. As turmas têm em média 58 estudantes, há poucos livros didáticos e apenas um computador, com conexão de internet de baixíssima qualidade.

Para apoiar a educação, Tabichi doa 80% do salário aos alunos, que, sem a ajuda, não conseguiriam arcar com os custos de uniformes e material escolar.

“Para os professores, o maior desafio é exatamente lidar com a falta de professores, que acaba provocando uma sobrecarga de trabalho. E, para as crianças, é muito difícil manter a concentração, já que elas vêm de famílias com uma renda muito baixa”, disse Tabichi ao G1.

Ao fazer os alunos acreditarem em si mesmos, Tabichi melhorou o desempenho e a autoestima deles. A matrícula dobrou para 400 em três anos. Os casos de indisciplina caíram de 30 por semana para apenas três. Em 2017, só 16 dos 59 alunos ingressaram na faculdade. Em 2018, foram 26. O desempenho das meninas, em particular, foi impulsionado. Hoje, elas lideram os meninos em todos os quatro testes estabelecidos no ano passado.

Foto: Varkey Foundation

A premiação

“Todos os dias, em nosso continente, viramos uma nova página. E hoje escrevemos uma nova. Esse prêmio não é um reconhecimento a mim, mas aos jovens deste grande continente que é a África. O Global Teacher Prize diz a eles que eles podem fazer qualquer coisa. O dia é uma criança, e há uma nova página a ser escrita. É a hora da África”, disse o queniano ao subir ao palco. 

Com a vitória, Tabichi superou cerca de 10 mil indicações de 179 países. Na final, disputou com nove candidatos, dentre eles a professora brasileira Débora Garofalo, que ensina robótica na Escola Ary Parreiras, na periferia de São Paulo.

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