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30 de julho de 2019, 00:38h

‘O primeiro Colóquio a gente nunca esquece’ diz Viana

Marcelo Viana abre o 32 Colóquio Brasileiro de Matemática

Ao abrir a 32ª edição do Colóquio Brasileiro de Matemática (CBM), o diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, lembrou que o crescimento do número de participantes do evento, ao longo de cerca de seis décadas, “traduz o crescimento da Matemática brasileira, que é quantitativo e qualitativo, e se reflete na renovação” visível dos inscritos a cada nova edição.

“A primeira vez que o Colóquio foi realizado, de 1º a 20 de julho de 1957, em Poços de Caldas (MG), teve a participação da comunidade brasileira quase toda: eram 49 participantes de nove instituições”, observou Viana, anunciando que nesta edição o número ultrapassa mil participantes, entre brasileiros e estrangeiros. No grupo pioneiro, havia duas mulheres, Marília Peixoto e Elza Gomide, as duas primeiras doutoras em Matemática no Brasil.

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Viana lembrou que o primeiro colóquio dele foi em 1987. “Tenho a impressão de que se os mais jovens perguntarem aos menos jovens, todos vamos lembrar do nosso primeiro Colóquio. A gente nunca esquece. Isso é um pouco reflexo da importância que ele teve e continua a ter para o desenvolvimento da Matemática brasileira”, afirmou.

Coordenadora geral do 32º CBM e pró-reitora de pós-graduação da Unicamp, Nancy Garcia destacou que os participantes “são a razão de ser do Colóquio” e fazem com que tenha se tornado a reunião mais importante do Brasil na área, realizada a cada dois anos. Participam da programação, pesquisadores júnior e sênior, professores, alunos de graduação e pós-graduação e mesmo alunos de Ensino Médio.

“Durante uma semana de atividade intensa a gente divide conhecimento, experiências, aprende coisas novas, estabelece colaborações. O Colóquio é especial porque, de todas as reuniões que já participei, ela é a mais acessível a alunos, principalmente aos de graduação. Isso permite fomentar a vocação”, observou a pesquisadora, contando que participou pela primeira vez de um CBM em 1983 quando estava na graduação.

Diretor-adjunto do IMPA, Claudio Landim fez uma homenagem a dois pesquisadores do instituto que morreram este ano: um dos fundadores do IMPA, Maurício Peixoto, falecido em abril, aos 98 anos; e o americano Barry Rees James, que morreu em março, aos 76 anos. “Vim fazer um curso dado por ele, no IMPA, e acabei me tornando um probabilista”, disse Landim, sobre o americano, professor da Universidade de Minnesota (EUA).

Sobre Peixoto, Landim contou uma história que, segundo ele, traduz bem o cearense de renome internacional, que deu contribuições fundamentais à área de Sistemas Dinâmicos. Há alguns anos, quando perguntado sobre quais artigos considerava essenciais para constar em um volume de textos de sua autoria, Peixoto teria respondido: “Olha, espera um pouquinho que eu estou escrevendo um artigo agora”. Em 13 de agosto, será realizada no IMPA um evento em homenagem ao pesquisador, com palestras sobre sua vida e obra.

Os presidentes da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), Paulo Piccione (IME/USP) e da Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC), Carlile Lavor (Unicamp), também enfatizaram que o Colóquio é uma oportunidade para estabelecer contatos com outros colegas da área e pesquisadores.

“Eventos como este providenciam um ambiente perfeito para difundir conhecimento científico e para trocar experiências. Eu desejo e a todos uma participação frutífera nessa conferencia”, disse Piccione. Ele lembrou que, desde 2009, paralelamente ao evento nacional, a SBM realiza colóquios regionais, “com o intuito de descentralizar a Matemática”. As chamadas para as regionais do Centro-Oeste, Sul e Sudeste estão abertas, informou.

Ao finalizar a cerimônia, Viana destacou a contribuição do Colóquio também para a produção da literatura matemática no país. Seguindo uma tradição mantida desde a primeira edição do CBM, os cursos ministrados ao longo do evento são transformados em livros. “Se vocês olharem livros de Matemática de autores brasileiros mais bem sucedidos, praticamente todos começaram nos nossos cursos no Colóquio.”

‘Já vim como aluna; agora estou aqui como professora’

Presentes ao primeiro dia de atividade do 32º CBM, as colegas Marianna Ravara Vago, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e Beatriz Molina-Samper, da Universidad de Valladolid, estão animadas para a semana de atividades. A brasileira e a espanhola vão apresentar a sessão temática “Folheações Holomorfas”. É a segunda vez de Marianna no Colóquio. A primeira vez foi em 2017, ainda como aluna do mestrado da UFSC. Por isso a emoção é duplicada.

“É muito interessante estar de volta aqui. Em 2017, eu vim como aluna, e agora estou aqui como professora, trazendo minhas alunas para participar. É a primeira vez que elas estão vindo ao Rio de Janeiro, ao IMPA e ao Colóquio, então eu estou muito emocionada porque já estive na posição delas e agora estou trazendo gente para cá”, disse a pesquisadora.

Luan e Henrique são da Federal de Minas Gerais

Da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), vieram os amigos Luan Figueiredo de Oliveira e Henrique Nogueira Bastos. Perto de se tornar Bacharel em Matemática, Luan está pela segunda vez no CBM. Ele disse ter percebido mudanças no perfil dos participantes.

“Eu vejo mais gente jovem nas palestras, e isso é bom porque o objetivo do Colóquio é justamente fomentar a pesquisa científica apresentando o que tem sido pesquisado na área da Matemática.  A carreira em Matemática é pouco conhecida fora da academia, por isso é importante que os jovens tenham contato com esse tipo de encontro”, observou Luan.

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