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2 de maio de 2019, 07:46h

Vida de Peixoto se confunde com a história da matemática

Reprodução da coluna de Marcelo Viana, na Folha de S.Paulo

Em 2010, o Impa e a Sociedade Brasileira de Matemática assinaram contrato com a editora internacional Springer para publicar livros de trabalhos selecionados de grandes matemáticos brasileiros. Sabendo que Maurício Peixoto completaria 90 anos no ano seguinte, assumi a tarefa de tentar preparar o livro dele em tempo para o aniversário.

Sua reação foi evasiva, aparentemente sem entusiasmo. Quando insisti, surpresa ainda maior: claro que concordava, explicou, e estava muito grato. Mas será que eu poderia esperar um ou dois anos, pois ele estava escrevendo um trabalho que iria culminar sua obra? Prova viva de que a matemática faz bem à saúde, aos 89 anos Maurício continuava em forma e cientificamente tão ambicioso quanto sempre fora.

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Cearense que virou carioca, graduou-se em engenharia na Universidade do Brasil (atual UFRJ). Em entrevista dada em 2011 aos colegas Elon Lima e Enrique Pujals, explicou que a intenção sempre foi estudar matemática —engenharia era, na época, o que havia de mais próximo. “Não pus um tijolo em cima de outro”, declarou, rindo.

Nos anos 1940 e 1950, seu seminário na escola de engenharia e no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas foi o primeiro ambiente permanente para discussão de matemática avançada no país.

Seus trabalhos mais conhecidos tratam da “estabilidade estrutural”. Dizemos que um fenômeno é estruturalmente estável se o modo como ele evoluiu não varia muito quando alteramos um pouco as condições. A maioria das receitas de cozinha não desanda se errarmos um pouquinho os ingredientes, elas são estáveis.

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