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20 de dezembro de 2019, 10:45h

Conheça as medalhistas do Torneio Meninas na Matemática

Maria Clara Werneck, Larissa Lemos Afonso e Fabricia Cardoso Marques

Nada como uma medalha de ouro para manter os objetivos e foco firmes. Depois de terem conquistado a distinção máxima na 1ª edição do Torneio Meninas na Matemática (TM²), as jovens Fabricia Cardoso Marques, de Fortaleza (CE), Larissa Lemos Afonso, de Hidrolândia (GO), e Maria Clara de Lacerda Werneck, do Rio de Janeiro, estão com o espírito renovado para enfrentar novos desafios. 

Em sua estreia, a competição contou com a participação de 171 alunas. Todas as medalhistas serão convidadas a participar da 23ª Semana Olímpica da Olimpíada Brasileira de Matemática, de 26 de janeiro a 1° de fevereiro de 2020, em Natal (RN).

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Além disso, o TM² serviu como primeiro teste de seleção para o grupo que vai representar o Brasil na European Girls’ Mathematical Olympiad (EGMO) de 2020 em Egmond, na Holanda. A competição anual europeia e exclusiva para meninas inspirou o IMPA a criar o torneio nacional. 

Maria Clara Werneck, 18 anos

Medalha de bronze na EGMO de 2019, a carioca Maria Clara Werneck participa de competições científicas desde o 4º ano do Ensino Fundamental. Tudo começou com uma despretensiosa olimpíada interna da escola. “Participei e gostei bastante. Fui me inscrevendo em todas as seguintes”, conta. Quando conheceu a Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), se surpreendeu ao conquistar uma medalha de bronze, no 9º ano. “Foi a porta de entrada para outras competições olímpicas.”

A estudante da Escola Eleva é familiarizada com os números desde cedo. “Quando era mais nova, achava a matemática interessante enquanto ferramenta lógica. Conforme os anos foram passando, através do meu contato com problemas de olimpíadas, percebi o quanto tinha de argumentar e provar ideias, e acho isso muito bonito”.

A baixa presença de meninas nas competições olímpicas de matemática não passa despercebida aos olhos de Maria Clara. “O ambiente olímpico é bem masculino. É comum ser uma das poucas meninas, e acabamos ficando sem muitas referências. No mundo ideal, não deveria haver um torneio exclusivamente para meninas. Mas não estamos no mundo ideal.” Para a jovem, o TM² “é uma forma de motivar meninas e dizer para elas que elas são capazes”.

Na reta final para começar a graduação em Matemática, a estudante de 18 anos acredita que a seleção para a EGMO vai acontecer da melhor forma possível, e manda um recado para as meninas que vão participar do processo seletivo: “acreditem em vocês!”.

Larissa Lemos Afonso, 15 anos 

Larissa Lemos mal saiu de uma competição e já está com os olhos voltados para outra. “Sei que não vai ser fácil, mas quero muito ir para a EGMO e pretendo me esforçar para isso. Não quero deixar esta chance passar”, conta a jovem, que já está novamente empenhada em resolver listas de exercício e simulados.

Habitante de Hortolândia (Goiás), cidade de 14 mil habitantes, Larissa leva 50 minutos para chegar ao Colégio Integrado Jaó, em Goiânia, durante a semana escolar. Começou a tomar gosto pela matemática no 6º ano. “Acho muito estimulante o processo de chegar até respostas absolutas na matemática”, diz.

O interesse e a facilidade da estudante com a matemática chamou a atenção de um professor, que a inscreveu na Olimpíada Canguru de Matemática. Desde então, ela já conquistou 15 medalhas em olimpíadas científicas, incluindo três na OBMEP e uma menção honrosa na OBM.

A jovem, que frequenta o Polo Olímpico de Treinamento Intensivo (POTI) da sua região, se entusiasmou com a criação do TM². “É algo que vai estimular mais as meninas que se destacarem. Também acho que é melhor para a seletiva da EGMO, já que em anos anteriores pouquíssimas meninas podiam participar da seletiva, já que o único jeito de participar era ter um desempenho relativamente bom na OBM.”

Fabricia Cardoso Marques, 14 anos

A matemática nunca foi um bicho de sete cabeças para a estudante Fabricia Cardoso Marques, que participa de competições olímpicas desde o 3º ano do Ensino Fundamental. A cearense já fez as provas da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), da Olimpíada Cearense de Matemática, Olimpíada Rioplatense de Matemática e da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas e Particulares (OBMEP), na qual tem três medalhas de prata.

Engana-se quem pensa que tantas provas e competições são motivos de tensão para Fabricia. “Vejo a matemática como uma diversão. Me divirto fazendo os cálculos, buscando as ideias… Gosto muito de me desafiar e a matemática me incentiva muito nisso.”

A aluna do Colégio Ari de Sá Cavalcante espera que, com o TM², mais garotas se sintam motivadas a adentrar o mundo olímpico, aumentando a representatividade feminina neste ambiente. “Muitas garotas não acreditam que são capazes de conseguir o mesmo que os meninos conseguem”, conta Fabricia.

O ouro no TM²  certamente serviu de incentivo para ela. Mesmo com tantas medalhas, a jovem não esperava figurar nas primeiras colocações, “Tinha noção de que fiz uma boa prova. Mas não esperava mesmo ser ouro, por isso estou muito feliz.”

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