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10 de março de 2020, 16:37h

Conheça competidoras que vão representar o Brasil na EGMO

Embaladas pela conquista do ouro inédito no ano passado, as competidoras que vão representar o Brasil na 9ª Olimpíada Europeia Feminina de Matemática (EGMO, na sigla em inglês) estão animadas para repetir o feito. Entre estreantes e veteranas, a equipe é formada por Carolina Moura Valle Costa, de Itú (SP); Ana Beatriz Cavalcante Pires de Castro Studart, de Fortaleza (CE); Maria Clara de Lacerda Werneck, do Rio de Janeiro (RJ), e Letícia Barbieri Stroeh, de Campinas (SP). 

Desta vez, o torneio vai acontecer em Egmond, na Holanda, entre 15 e 21 de abril. Maria Clara e Ana Beatriz já conhecem a competição. A carioca fez a estreia internacional em 2019 e trouxe a medalha de bronze. Já Ana Beatriz, conquistou prata e bronze nas últimas duas edições do torneio. 

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“O ambiente da olimpíada é incrível. Na EGMO, pude conhecer meninas extraordinárias de outros países, inclusive do Brasil, o que com certeza me fez sentir mais capaz de competir em outros eventos matemáticos”, conta Ana Beatriz. 

A estudante está confiante para a disputa deste ano, mas sabe que a competição vem ficando cada vez mais acirrada. “Com o passar dos anos, a seletiva está ficando mais difícil tanto pelo nível das candidatas, quanto pela quantidade de participantes. Mas acho que isso pode fazer com que, cada vez mais, as meninas se interessem para representar o Brasil na IMO (Olimpíada Internacional de Matemática).”  

Efeito que já contagia as novatas na competição. Aos 16 anos, Letícia se prepara para a primeira disputa internacional. “Sempre gostei de matemática e, desde os 11, participo de olimpíadas. A primeira delas foi em um antigo colégio onde estudava. Mas, desde então, já participei da OBM (Olimpíada Brasileira de Matemática), da OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), do Concurso Canguru de Matemática Brasil e da Olimpíada de Matemática da Unicamp.” 

Para a estudante, viajar em busca de conhecimento é um dos privilégios que as competições podem proporcionar. “Estou animada! Acredito que será uma experiência muito legal para conhecer pessoas de diferentes lugares que também têm interesses matemáticos”, conta a adolescente, que ainda não conhece pessoalmente as outras integrantes da time brasileiro, mas que “já mantém contato pelo WhatsApp” com o grupo. 

São esperadas candidatas de, pelo menos, 50 países para a EGMO. As quatro jovens brasileiras tiveram destaque na 41º Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) e no 1º Torneio Meninas na Matemática (TM²), e foram selecionadas em uma prova realizada durante a 23º Semana Olímpica. A equipe é liderada por Ana Karoline Borges, do Rio de Janeiro (RJ), e Kellem Correa Santos, de Brasília (DF). 

“A EGMO, assim como o TM², é uma iniciativa que gostaria de ter participado na minha época, porque incentiva as meninas a terem maior representatividade nas competições científicas”, observa a professora Kellem Correa, que acompanha o impacto das competições dentro e fora de sala de aula. 

“Participar da Olimpíada Europeia Feminina é o primeiro passo para que meninas vejam que é possível conquistar uma medalha na IMO ou na IMC, por exemplo. Vejo isso na prática com a minha turma no POTI (Polos Olímpicos de Treinamento Intensivo), em Brasília. As meninas começaram a aparecer mais nas aulas”, destaca. 

O Brasil participa da EGMO desde 2017, quando foi convidado por conta do bom desempenho nas olimpíadas internacionais de matemática. A trajetória do Brasil em três anos de participação na competição soma agora dez premiações – 9 medalhas e uma menção honrosa.

A participação da equipe olímpica brasileira no evento é organizada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM); do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e dos colégios Etapa (SP), Farias Brito (CE) e Escola Eleva (RJ).

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