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9 de agosto de 2019, 16:22h

Cartaz da OBMEP 2019 faz homenagem aos índios

O Dia Internacional dos Povos Indígenas é celebrado nesta sexta-feira, 9 de agosto, mas na OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas) a comemoração começou faz tempo. O cartaz da competição de 2019, iniciada em maio, homenageia os povos indígenas. A fotografia de um índio com desenhos simétricos no corpo remete ao papel fundamental que as várias linguagens desempenham nas sociedades.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) autorizou o uso de dois logotipos no material de divulgação da maior olimpíada científica do país, realizada desde 2005 pelo IMPA, com apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM). 

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Além da marca da Unesco, o cartaz traz o logotipo do Ano Internacional das Línguas Indígenas (IYIL, na sigla em inglês), comemorado ao longo de 2019, por iniciativa da Unesco, para alertar os países sobre a necessidade urgente de preservar, revitalizar e promover as línguas indígenas no mundo. 

Em carta, a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, parabenizou os organizadores da OBMEP por promover o desenvolvimento científico e tecnológico, as engenharias e a Matemática no Brasil e, também, participar da conscientização mundial sobre as culturas autóctones por meio da celebração do Ano Internacional das Línguas Indígenas.

Além de integrar as atividades comemorativas do Ano Internacional das Línguas Indígenas, a escolha do tema da OBMEP 2019 revela o que, para parte das pessoas, passa despercebido: a Matemática nos desenhos simétricos dos indígenas.

O tema virou exposição no Congresso Internacional de Matemáticos (ICM 2018), em agosto passado no Rio. Concebida pelos pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) Humberto Bortolossi e Marco Moriconi, “Geometria e Imaginação – Padrões na Natureza e na Cultura” reúne simetrias encontradas em pinturas corporais dos índios, templos islâmicos e artefatos criados por aborígenes.

“Todos os povos possuem suas formas de linguagem, sejam verbais, pictóricas ou corpóreas. Desenhos simétricos são um tipo de código simbólico que permite abstrair a natureza e as relações socioculturais”, diz Bortolossi, acrescentando que uma linguagem habilita a comunicação, o pensamento e a abstração, processo fundamental para a Matemática. 

Atualmente, existem de 6 mil a 7 mil línguas indígenas no mundo, faladas por uma quantidade mínima de pessoas. Cerca de 97% da população mundial fala 4% dessas línguas, revela o site oficial do Ano Internacional, criado pela Unesco. Com isso, essas línguas, com suas histórias, tradições e memórias, têm desaparecido em ritmo alarmante, reduzindo a diversidade linguística em todo o mundo, adverte o organismo.

No site, além de dados sobre o tema, é possível encontrar recursos em formatos diversos, como vídeo, áudio, imagem e texto, e o calendário de eventos mundiais que buscam sensibilizar as sociedades para a relevância da preservação das línguas indígenas. Se você clicar no mapa e localizar o Brasil, já vai encontrar lá a OBMEP 2019.

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Jorge Zubelli, um matemático multidisciplinar