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14 de novembro de 2018, 09:01h

Maior de todos, Isaac Newton não foi um grande ser humano

Reprodução da coluna de Marcelo Viana, na Folha de S.Paulo

Anos atrás foi moda publicar livros com listas das “100 pessoas mais importantes” ou “mais influentes” de todos os tempos. Ultimamente não tenho visto, mas basta uma busca rápida na internet para ver que a mania não passou. Em geral, os primeiros lugares são ocupados pelos fundadores das grandes religiões: Moisés, Cristo, Buda e Maomé. Em seguida vem um cientista: Isaac Newton.

Nascido em 1642 e falecido em 1726, pelo calendário juliano então vigente, de Newton foi dito que “fez avançar todas as áreas da matemática que existiam”. Sua maior obra, “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural”, publicada em 1687, lançou as bases de uma nova concepção do mundo, científica e racional. Um mundo cujo dia a dia não precisa ser gerido pela divindade, pois está perfeitamente determinado por leis matemáticas.

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Não que Newton partilhasse dessa visão. Religioso, acreditava que o universo necessita intervenção divina regular para permanecer estável. Teria ficado chocado se ouvisse um de seus maiores seguidores, o francês Pierre-Simon Laplace (1749-1827), responder “Não precisei dessa hipótese” quando Napoleão Bonaparte questionou por que seu “Tratado de Mecânica Celeste” não mencionava Deus.

Newton foi uma figura paradoxal em mais do que um aspecto: o maior cientista de todos os tempos esteve longe de ser um grande ser humano.

Descobriu o cálculo matemático, extraordinária ferramenta a serviço da ciência. Mas demorou três décadas para publicar, deixando que o alemão Gottfried Leibnitz (1646-1716) se antecipasse.

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