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29 de abril de 2019, 12:42h

Leia o obituário de Maurício Peixoto na 'Folha de S.Paulo'

Reprodução da Folha de S.Paulo

Morreu neste domingo (28), no Rio de Janeiro, o matemático Maurício Matos Peixoto, aos 98 anos, um dos fundadores do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa).

“Quando ele começou a matemática praticamente não existia no Brasil”, diz Marcelo Viana, diretor-geral do Impa. “Ele e o Leopoldo [Nachbin, outro fundador do Impa] mostraram que era possível fazer matemática aqui.”

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Nascido em 1921, em Fortaleza, no Ceará, o matemático, que era filho do ex-governador do Ceará, José Carlos de Matos Peixoto, começou sua vida no Rio de Janeiro em 1930. Anos mais tarde, em 1952, junto a Lélio Gama e Leopoldo Nachbin, fundou o Impa.

Com o Teorema de Peixoto, o matemático foi um dos primeiros estudiosos no campo da estabilidade estrutural em sistemas dinâmicos. A área de estudo está relacionada à modelagem de fenômenos que se alteram com o tempo.

Antes de Peixoto, o assunto estava estático. Foi ele que deu nova vida aos sistemas dinâmicos, que acabou se tornando uma das áreas mais ativas da matemática durante o século 20, segundo Viana.

O pioneirismo de sua pesquisa foi reconhecido. Em 1987, ganhou o Prêmio de Matemática da Academia Mundial de Ciências, além da Grã-Cruz e a comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico. 

O pesquisador, em 1974, foi o segundo brasileiro a falar como palestrante convidado no Congresso Internacional de Matemáticos (ICM), que acontece a cada quatro anos. Antes dele, só Leopoldo Nachbin, com quem fundou o Impa.

Em 1979 e 1980, Peixoto também presidiu o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), atualmente a maior agência de fomento à pesquisa ligada ao governo federal

O matemático lecionou na USP (Universidade de São Paulo) entre 1973 e 1978. 

Por dez anos, Peixoto também presidiu a Academia Brasileira de Ciências, entre 1981 e 1991, e foi nomeado membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, em 1996.

O ambicioso matemático buscava não deixar a idade o afastar da sua pesquisa. Peixoto chegou a publicar artigos depois dos 90 anos. Contudo, a saúde começou a piorar nos últimos anos.

“Antes disso, dava a impressão que o tempo tinha esquecido dele”, diz Viana. “Uma das ambições dele era chegar aos 100 anos.​”

Com a saúde já frágil, chegou, no último dia 15, aos 98.

Maurício Matos Peixoto deixa os filhos Martha, Marcos, Elisa e Ricardo, e sua esposa Alciléa Augusto. 

O velório ocorre no Memorial do Carmo, no Rio de Janeiro, das 14h às 18h, nesta segunda (29).

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