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30 de outubro de 2019, 15:57h

Campo Elias defende tese em equilíbrio geral

Vídeo da defesa da tese de Campo Elias

Nascido e criado no bairro de Guacamayas, ao sul de Bogotá (Colômbia), Campo Elias Suarez Villagrán teve uma infância simples. Seus pais, Campo Elias e Dora Myriam, não tiveram a oportunidade de completar seus estudos, mas sempre incentivaram os cinco filhos a buscarem uma educação de qualidade. 

Aluno de doutorado do IMPA, Campo Elias defende, nesta quinta-feira (31), às 10h, na sala 232, a tese “Equilíbrio geral com utilidades dependentes de pontos de referência endógenos”, orientado pelo pesquisador Aloisio Araujo. 

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O trabalho do colombiano dialoga com a psicologia. Por muito tempo, a economia clássica considerava o modelo de “homo economicus”, sujeito que faria decisões totalmente racionais. Na década de 70, a psicologia desenvolveu a teoria da perspectiva, que descreve o modo como as pessoas escolhem entre alternativas de risco, onde as probabilidades de resultados são incertas pois levam em consideração aspectos irracionais dos seres humanos. Não tardou para que a economia absorvesse o conceito.  

“No meu trabalho, falo sobre equilíbrio geral quando os pontos de referência são endógenos e dados por um valor esperado”, explica o doutorando. 

O gosto pela Matemática começou cedo, com a leitura do livro “O Homem que Calculava”, de Malba Tahan, pseudônimo de Julio Cesar de Mello Souza. Publicado em 1938, a obra narra as aventuras e proezas matemáticas do calculista persa Beremiz Samir na Bagdá do século XIII.

“Como não tinha fácil acesso à internet, este livro acabou me apresentando a muitas curiosidades matemáticas que instigaram meu interesse pela área. Comecei a pesquisar teoria dos números, índice de Euler e outros temas que não eram introduzidos ainda na escola”, conta o colombiano.

A bagagem adquirida através desta jornada individual rumo ao conhecimento o levou a se matricular no curso de Matemática da Universidade Nacional da Colômbia (UNAL). “Escolhi a Matemática porque sempre a enxerguei como uma ciência mais abstrata e, por isso, muito bonita”.

Os anos de universidade foram uma maravilha, relata o doutorando. Foi lá onde o jovem pode se aproximar com mais profundidade da Matemática e também fez grandes amigos, com os quais mantém contato regularmente até hoje. 

Terminada a graduação, Campo ingressou em 2010 no programa de mestrado em Matemática da Universidade dos Andes (Colômbia). Conciliava os estudos sobre distribuição de números primos em sequências polinomiais, tema que desenvolvia em sua dissertação, com o trabalho de professor em algumas universidades da cidade.

“Como na Colômbia existe um sistema de contratação de professores por hora, sem associação a universidade, dava aula para a graduação em alguns cursos de economia, matemática, e engenharia”, explica.

No final do mestrado, Campo começou a trabalhar no Instituto Colombiano de Fomento à Educação Superior (ICFES). No instituto, elaborava questões de provas nacionais, trabalhava com a teoria de resposta ao item e atuava em uma linha de investigação que utilizava dados demográficos, como gênero e índices socioeconômicos, para fornecer recomendações à pasta de educação do governo.

Depois de dois anos no ICFES, era hora de voltar à pesquisa científica. Tendo absorvido alguns conceitos de economia como professor de curso de graduação, Campo despertou para a área. Conhecia Juan Pablo Gama dos tempos de UNAL, e sabia que o colega estava terminando o doutorado em matemática econômica no IMPA.

Aprovado no programa de doutorado do instituto, o colombiano mudou-se para o Brasil em 2015. A adaptação foi imediata. “São culturas parecidas, e o pessoal daqui é muito amigável. Consegui fazer amigos muito rápido”, conta o matemático, que aproveitou o tempo no país para conhecê-lo de ponta a ponta.

Na reta final para a conclusão do doutorado, Campo afirma: “terei muito orgulho de dizer que fui aluno do IMPA”. Para o futuro, o matemático planeja ingressar em um pós-doutorado em alguma instituição carioca. “Quero dar prosseguimento à minha pesquisa em equilíbrio geral porque ainda posso descobrir muitas coisas sobre o tema”, conclui.

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