História

Criado em 1952, o IMPA foi a primeira unidade de pesquisa do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), agência de fomento inaugurada um ano antes. Desde seu início, o IMPA tem como funções básicas o estímulo à pesquisa científica em Matemática, a formação de novos pesquisadores, a difusão e o aprimoramento da cultura matemática no país. Essas atividades, vinculadas entre si, visam promover o conhecimento da Matemática, fundamental ao desenvolvimento das ciências e da tecnologia em geral, algo essencial para o progresso econômico e social da Nação.

Inicialmente, o IMPA ocupou uma sala do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), na Praia Vermelha, zona sul do Rio de Janeiro. Além do diretor Lélio Gama, integravam seu quadro funcional os pesquisadores Leopoldo Nachbin e Maurício Peixoto – um grupo diminuto, mas ilustre.

O prestígio acadêmico do IMPA se consolidou a partir de 1957, com a organização do primeiro Colóquio Brasileiro de Matemática (CBM). Desde então, de modo ininterrupto, o evento ocorre a cada dois anos. O CBM inicial reuniu 50 participantes. O último, em 2017, na comemoração dos 60 anos do Colóquio, atraiu 1.400 inscritos, entre estudantes e profissionais da Matemática.

Naquele ano de 1957, o IMPA se mudou para a rua São Clemente, em Botafogo, também na zona sul carioca. Os matemáticos Elon Lages Lima e Paulo Ribenboim passaram, então, a integrar a equipe de pesquisa da instituição.

 

Em 1957, o IMPA passou a funcionar na rua São Clemente, 265, em Botafogo

 

O foco do IMPA era a formação de pesquisadores e docentes – apesar não ter à época um programa formal de pós-graduação – e o estímulo ao desenvolvimento de mais centros de estudos matemáticos no Brasil. O intercâmbio científico entre matemáticos estrangeiros sempre foi muito incentivado no IMPA, cuja biblioteca reuniu, ao longo de seus 65 anos, um nobre acervo de padrão internacional.

Em 1962, começaram os programas de mestrado e doutorado em Matemática, por meio de convênio firmado com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que concedia oficialmente os títulos de mestre e doutor.

Naquela época, como os recursos disponíveis não eram amplos, o IMPA mantinha um número reduzido de pesquisadores. Esse cenário começou a mudar a partir de 1967, quando o Instituto passou a receber apoio financeiro do então Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE).

No ano anterior, Lindolpho de Carvalho Dias sucedeu a Lélio Gama na direção do IMPA, permanecendo no cargo até 1969. Dias ocupou novamente a função nos períodos de 1971 a 1979 e de 1980 a 1989. Elon Lages Lima foi diretor em três ocasiões: 1969 a 1971, 1979 a 1980 e 1989 a 1993. No período de 1993 a 2003, a direção foi exercida por Jacob Palis. César Camacho assumiu a direção em setembro de 2003, sendo sucedido, em janeiro de 2016, pelo atual diretor, Marcelo Viana.

Em 1967, o IMPA se mudou para um prédio histórico no Centro, que hoje obriga o Centro Cultural Hélio Oiticica, à Rua Luís de Camões, 53. No ano seguinte, com apoio do BNDE (atual Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social, o BNDES) e, posteriormente, da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), além do próprio CNPq, o IMPA ampliou seus quadros com matemáticos brasileiros em atividade no exterior ou com doutorando nas melhores instituições estrangeiras.

 

Sede do IMPA no Centro do Rio

 

A partir de 1970, o Instituto de Matemática Pura e Aplicada passou a sediar programas regulares de mestrado e doutorado, com a importante expansão de suas atividades de pesquisa e formação de pesquisadores. Sem diminuir a importância do papel inicial dos fundadores, essa nova e fundamental etapa foi resultado do trabalho de novas gerações de matemáticos.

As mudanças institucionais realizadas no CNPq na década de 70 permitiram que o IMPA desse um salto qualitativo e ampliasse suas atividades, pela oportunidade de contratação de um quadro fixo de pesquisadores. Até então, seus pesquisadores eram mantidos por bolsas de estudo ou trabalhavam em outras instituições, brasileiras ou estrangeiras. A mudança propiciou o crescimento e a diversificação das linhas de pesquisa e, consequentemente, a formação de jovens pesquisadores.

Os programas de mestrado e doutorado passaram a ter caráter regular, sendo o IMPA a primeira instituição em Matemática a obter, a partir de 1971, mandato do Conselho Federal de Educação para outorgar os graus de mestre e doutor.

Desde então, o IMPA tem merecido sempre menção máxima junto à Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal (Capes). O conceito de que goza o IMPA, nacional e internacionalmente, resulta da qualidade de sua pesquisa científica e de seu papel na formação de novos pesquisadores: mais de 230 doutores e 450 mestres, até o momento.

A partir de 1970, foram criadas novas áreas de atuação, como Geometria Algébrica e Diferencial, Probabilidade e Estatística, Pesquisa Operacional e Economia Matemática. Até aquele ano, as atividades estavam concentradas em Sistemas Dinâmicos e Topologia Diferencial. Mais tarde, seriam consolidados os campos de Equações Diferenciais Parciais, Dinâmica dos Fluídos e Computação Gráfica.

Um marco da consolidação do IMPA como entidade referencial em Matemática foi a construção da sede própria, no Horto Florestal, Jardim Botânico, bem perto de uma das entradas do Parque Nacional da Tijuca, a mais conhecida e importante unidade florestal do Rio de Janeiro.

A inauguração da sede ocorreu em julho de 1981, com a realização do Simpósio Internacional de Sistemas Dinâmicos. O quadro científico foi ampliado e, ao longo de uma década, passou a somar 32 pesquisadores, todos com doutorado.

 

 Atual sede, inaugurada em 1981 em terreno vizinho à floresta da Tijuca

 

O ensino da Matemática no IMPA esteve sempre associado à pesquisa e buscou apoiar as instituições universitárias nacionais e, mais tarde, latino-americanas, para que atingissem a excelência em suas atividades. Tiveram importância fundamental no alcance desta meta, além dos programas de formação de pesquisadores (mestrado e doutorado), o fomento a intercâmbios com outros países e a realização de reuniões científicas, do Colóquio Brasileiro de Matemática, dos Programas de Pós-Doutorado e Pós-Graduação de Verão.

O Pós-Doutorado inclui atividades de longa (1 a 2 anos) e curta duração (1 a 3 meses) – neste último caso, é realizado, geralmente, durante o Pós-Doutorado de Verão. Oferece sempre várias atividades avançadas de pesquisa. O IMPA recebe anualmente uma média de 70 professores para estágios de pós-doutorado. Muitos trabalhos de pesquisa têm sido feitos em coautoria por professores de universidades geograficamente afastadas, graças a contatos efetivados no Programa de Verão. Mais de 100 estudantes de graduação e pós-graduação, provenientes de universidades de quase todos os Estados brasileiros, assistem a cursos do Programa de Pós-Graduação de Verão.

O IMPA oferece ainda cursos de reciclagem de professores dos ensinos Médio e Fundamental. Outra de suas atribuições é o amplo apoio à  Sociedade Brasileira de Matemática, em particular às Olimpíadas de Matemática, tanto em âmbito nacional como na presença do Brasil em competições internacionais. Os alunos de doutorado do IMPA são originários de dezenas de países de todos os continentes.

As pesquisas desenvolvidas no IMPA abrangem as áreas de Álgebra e Geometria Algébrica, Análise – Equações Diferenciais Parciais e Dinâmica dos Fluidos, Computação Gráfica, Economia Matemática, Geometria Diferencial, Pesquisa Operacional e Otimização, Probabilidade e Sistemas Dinâmicos.

A instituição foi designada Centro de Excelência para o Pós-Doutorado, em nível internacional, pela Third World Academy of Sciences (TWAS). O IMPA é a sede permanente da Sociedade Brasileira de Matemática, criada em 1969.

Outra atividade fundamental do IMPA é a publicação de material didático. As séries do instituto são utilizadas por universidades como referência bibliográfica em cursos de pós-graduação, e mesmo de graduação. Os livros do Projeto Euclides e da Coleção Matemática Universitária são fundamentais no ensino matemático.

A existência de uma literatura matemática brasileira, além de facilitar a tarefa de aprendizagem, estimula as jovens vocações. O IMPA lançou ainda, em colaboração com a Fundação Vitae, uma coleção de livros voltados aos professores de matemática do Ensino Médio, como forma de apoio ao programa de reciclagem.

Os pesquisadores do IMPA têm recebido prêmios de âmbito nacional e internacional, como o Moinho Santista, o Nacional de Ciência e Tecnologia Almirante Álvaro Alberto, o Interamericano de Ciência Bernardo Houssay, o Third World Academy of Sciences e o Anísio Teixeira. Em 2014, o pesquisador do IMPA Artur Avila recebeu o mais importante prêmio matemático internacional, o Fields, considerado o Nobel da Matemática. Diversos pesquisadores do Instituto de Matemática Pura e Aplicada são membros da Academia Brasileira de Ciências e apresentam em seus currículos graus honoríficos de universidades. 

Sua história de sucesso e realizações faz com que o IMPA seja hoje o instituto de matemática de maior prestígio na América Latina e de padrão científico semelhante às melhores instituições dos países desenvolvidos.

Em 1994, a Comissão do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) que avaliou seus institutos concluiu que “a excelência do IMPA faz dele um modelo do que deve ser um instituto nacional de pesquisa básica e a ele devem ser proporcionadas as condições que lhe permitam preservar esta excelência”.