Breve história

Criado em 15 de outubro de 1952, o IMPA foi a primeira unidade de pesquisa do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), agência federal de fomento fundada apenas um ano antes. Atualmente, é uma das instituições mais respeitadas da ciência brasileira e um dos centros mais reconhecidos de pesquisa matemática no mundo.

Na base do sucesso está o fato de que o IMPA sempre apostou na excelência do seu corpo científico, por meio dos mais rigorosos critérios na contratação de seus pesquisadores, bem como na seleção de seus pós-doutores e estudantes. Além disso, o instituto sempre esteve aberto a lançar novas iniciativas e parcerias em prol do avanço da matemática no Brasil e na região.

Desde seu início, o IMPA teve por missão o estímulo à pesquisa científica, a formação de novos pesquisadores e a difusão e aprimoramento da cultura matemática no Brasil. Essas atividades, vinculadas entre si, visam promover o conhecimento da matemática, fundamental ao desenvolvimento das ciências e da tecnologia em geral, por sua vez essencial para o progresso econômico e social do país.

 

Primórdios

À época da criação, o IMPA não dispunha de sede própria: foi alojado temporariamente numa sala da sede do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (criado em 1949), na Praia Vermelha, zona sul do Rio de Janeiro. O corpo científico também era diminuto, embora ilustre: além do diretor, o astrônomo Lélio Gama, que também dirigia o Observatório Nacional, o instituto contava apenas com os jovens matemáticos Leopoldo Nachbin e Maurício Peixoto.

A atuação de Gama à frente do IMPA, com sua experiência e sabedoria, teve papel crucial na criação e consolidação do jovem instituto. E Nachbin e Peixoto seriam, mais tarde, os primeiros brasileiros convidados a proferir palestras no Congresso Internacional de Matemáticos, o que constitui uma das maiores distinções na carreira de um matemático.

O prestígio acadêmico do IMPA foi crescendo a partir de 1957, com a organização do primeiro Colóquio Brasileiro de Matemática, com cerca de 50 participantes. O Colóquio vem ocorrendo a cada dois anos desde então, de modo ininterrupto. Muito da matemática brasileira foi construída em torno dele.

 

Consolidação

Ainda em 1957, o IMPA se mudou para a Rua São Clemente, em Botafogo, também na zona sul carioca.

Em 1962, começaram os programas de mestrado e doutorado em Matemática, por meio de convênio firmado com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, que concedia oficialmente os títulos de mestre e doutor.

Em 1967, o IMPA mudou-se novamente, para um prédio histórico na Rua Luiz de Camões, no Centro do Rio de Janeiro, que atualmente abriga o Centro Cultural Hélio Oiticica.

No ano seguinte, com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (futuro BNDES) e, posteriormente, da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), além do próprio CNPq, o IMPA ampliou seus quadros com matemáticos brasileiros em atividade no exterior ou em fase final de doutorado nas melhores instituições estrangeiras.

Também em 1968, assumiu a direção Lindolpho de Carvalho Dias, que iria comandar a consolidação e o crescimento do instituto ao longo de 22 anos, com destaque para a construção da sede própria, no bairro do Jardim Botânico (zona sul), inaugurada em 1981.

 

Crescimento e abertura à educação

Na década de 1970, mudanças institucionais realizadas no CNPq permitiram que o IMPA desse um salto qualitativo e ampliasse suas atividades, inclusive criando um corpo próprio permanente de pesquisadores. Até então, os pesquisadores do IMPA eram mantidos por meio de bolsas de estudo ou tinham posição em outras instituições.

Assim, foram criadas novas áreas de pesquisa, tais como geometria algébrica, geometria diferencial, probabilidade, estatística, pesquisa operacional, otimização e economia matemática. Anteriormente, as atividades estavam concentradas em sistemas dinâmicos, análise e topologia diferencial. Mais tarde, seriam consolidados os campos de equações diferenciais parciais, dinâmica dos fluidos e computação gráfica e, mais recentemente, geometria simplética e matemática discreta.

Em 1971, o IMPA tornou-se a primeira instituição matemática com mandato do Conselho Federal de Educação para outorgar graus de mestre e doutor, o que permitiu que o programa de mestrado e doutorado adquirisse caráter regular. Desde então, a pós-graduação acadêmica do IMPA tem merecido sempre classificação máxima na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Um marco fundamental na história do IMPA foi a construção da sede própria no Horto Florestal, inaugurada em julho de 1981 com a realização de um Simpósio Internacional de Sistemas Dinâmicos.

Em duas ocasiões durante seu mandato, Carvalho Dias foi substituído na direção por Elon Lages Lima, também eleito diretor para o período de 1989 a 1993. Lima colocou seu enorme prestígio acadêmico ao serviço da causa da educação: o Programa de Aprimoramento de Professores do Ensino Médio, que criou em 1990, abriu uma nova e importante frente de atuação do instituto.

 

Internacionalização

Em 1993 foi eleito diretor Jacob Palis, que ocuparia o cargo por dez anos. Foi um período de notável crescimento do prestígio internacional do instituto, que, inclusive, sediou a União Matemática Internacional (IMU) de 1991 a 1998, quando Palis ocupou o cargo de secretário-geral da União. Outro fato marcante de seu mandato foi a qualificação do IMPA como Organização Social, em 2000.

Em 1994, a Comissão do Ministério de Ciência e Tecnologia que avaliou seus institutos concluiu que “a excelência do IMPA faz dele um modelo do que deve ser um instituto nacional de pesquisa básica e a ele devem ser proporcionadas as condições que lhe permitam preservar esta excelência”.

No ano seguinte, o IMPA sediou reunião internacional na qual foi criada a União Matemática da América Latina e do Caribe. Muito tempo depois, em 2011, o instituto voltaria a sediar a criação de uma organização internacional em matemática: o Conselho de Matemática das Américas. 

Em 2000, o IMPA foi transferido formalmente do CNPq para o MCT. Paralelamente, aceleraram-se os estudos iniciados um ano e meio antes visando a possível transformação do IMPA em Organização Social, concretizada um ano depois. O novo modelo de funcionamento, ao mesmo tempo em que manteve o instituto na esfera pública, lhe conferiu maior flexibilidade administrativa, bem como mais visibilidade e                                          transparência em suas atividades.

 

Fortalecimento da atuação social

A tendência de internacionalização do IMPA acentuou-se na gestão de César Camacho, de 2004 a 2015, também caracterizada pela renovação substancial do quadro científico, com a contratação de jovens pesquisadores. No período, em 2005, foi criada a OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), experiência sem precedentes de importante impacto social que sublinha de modo contundente o compromisso do IMPA com a disseminação do conhecimento matemático.

A OBMEP é realizada anualmente pelo IMPA com o apoio do Ministério da Educação e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e a colaboração da Sociedade Brasileira e Matemática (SBM). A Olimpíada conta com a participação da quase totalidade da população estudantil do 6º ano do ensino fundamental ao final do ensino médio. A partir de 2017, passou a estar aberta a todas as escolas brasileiras, públicas e privadas.

Em 2004 foi assinado contrato com o Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), principal agência francesa de fomento científico, por meio do qual o IMPA foi qualificado como Unidade Mista Internacional (UMI) do CNRS. Esta qualificação permite que alguns dos melhores matemáticos franceses realizem estágios de longa duração no IMPA sem ônus para o instituto.

O contrato com o CNRS vem sendo renovado sucessivamente a cada quatro anos, por acordo das duas partes. A partir de 2016, a UMI passou a ter o nome de Jean-Christophe Yoccoz, em homenagem ao matemático ganhador da medalha Fields em 1994, pesquisador emérito e grande amigo do IMPA.

Em 2011, o IMPA integrou-se à rede de instituições de ensino superior de todo o país que executam o Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (PROFMAT), programa de pós-graduação semipresencial voltado para a capacitação do professor de matemática da educação básica, coordenado pela Sociedade Brasileira de Matemática com apoio do IMPA.

 

Proeminência internacional

Em 2014, Artur Avila, pesquisador e doutor egresso do IMPA, foi distinguido com a Medalha Fields, a mais prestigiosa distinção da matemática mundial.

No mesmo ano, o IMPA foi honrado com o direito de organizar dois eventos maiores do calendário matemático mundial: a Olimpíada Internacional de Matemática (IMO) de 2017 e o Congresso Internacional de Matemáticos (ICM) de 2018, ambos no Rio de Janeiro.

Ao final de 2015, assumiu a direção Marcelo Viana, o primeiro diretor que também é doutor egresso do IMPA.

Em 2016, na sequência de iniciativa originada no IMPA, o Congresso Nacional aprovou a Lei do Biênio da Matemática (Lei 13.358), que dedica os anos de 2017 e 2018 à causa da matemática, em homenagem à realização no país da IMO 2017 e do ICM 2018.

A par da organização destes dois eventos, o período do Biênio da Matemática representa um enorme esforço do IMPA para aproximar a matemática da sociedade brasileira, por meio de iniciativas como o Festival da Matemática, lançado em 2017.

Em 2018, IMPA e SBM lideraram a candidatura bem sucedida do Brasil a integrar o grupo de elite (Grupo 5) da União Matemática Internacional, juntamente com as dez nações mais avançadas do mundo na área.

Neste mesmo ano, foi lançada a pedra fundamental do novo campus do IMPA, em terreno adjacente àquele que o instituto atualmente ocupa no bairro do Jardim Botânico, doado para esse fim por patrocinadores privados em 2014. O novo campus permitirá a expansão substancial das atividades do IMPA e, por consequência, de sua capacidade de atuação em prol da ciência e da educação no Brasil.