Navegar

Tese do IMPA ganha Prêmio Carlos Gutierrez

Aluno de Ciência da Computação, o carioca Felipe Ferreira Gonçalves já concluíra dois anos da graduação quando se deu conta de que estava no lugar errado. Gostava mesmo era de Matemática. Migrou de área, formou-se bacharel pela UFRJ e, após concluir o mestrado no IMPA, deu outra guinada acadêmica: no fim do primeiro ano de doutorado, na mesma instituição, trocou de objeto de estudo. Caminho tortuoso, mas acertado. Seu trabalho acaba de vencer o Prêmio Carlos Gutierrez 2017.

Destinado à melhor tese em Matemática defendida no Brasil no ano anterior à premiação, nos quesitos originalidade e qualidade, a distinção à Extremal Problems, Reconstruction Formulas and Approximations of Gaussian Kernels foi festejada por Felipe, por seu orientador, Emanuel Carneiro e pelo diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, que considerou a honraria merecidíssima: “Estamos muito felizes por ver o IMPA associado mais uma vez a este prêmio, um dos mais importantes da Matemática brasileira, homenageando um ex-pesquisador do instituto, o saudoso amigo Carlos Gutierrez.”

Atualmente professor assistente da University of Alberta, em Edmonton, no Canadá, Felipe disse ter experimentado “uma sensação maravilhosa de trabalho cumprido” ao ser comunicado da vitória. “Quando você é reconhecido por seu trabalho árduo, ainda mais num prêmio tão disputado como esse, deixar a modéstia um pouco de lado e se sentir orgulhoso pelo seu esforço é extremamente valioso. Ele será muito importante para minha carreira e tem o potencial de abrir novas portas no futuro”, destacou, acrescentando a sorte de ter escolhido Emanuel Carneiro como orientador: “A pessoa com o equilíbrio certo entre cobrança e amizade. Devo muito a ele.”

A admiração é mútua. Para Emanuel, pesquisador com ênfase na área de Análise, Felipe é dedicado, talentoso e um modelo de inspiração para outros alunos. “Ao longo desses quatro anos, ele desenvolveu múltiplos trabalhos, muitos projetos de pesquisa, sozinho ou com colegas, e não só do Brasil. É uma satisfação e uma honra o recebimento de um prêmio tão prestigioso”, afirmou o doutor pela Universidade do Texas em Austin, sobre a distinção concedida pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP.

“Sempre é tempo de recomeçar se você tem disciplina e perseverança”

Felipe, que fez doutorado sanduíche na mesma instituição e já visitou várias universidades nos Estados Unidos e na Europa, ressaltou a estrutura do mestrado e doutorado do IMPA, assim como a qualidade das aulas e dos professores. “É excepcional e está entre as melhores do mundo. O lema primordial do Instituto sempre foi a excelência em todos os aspectos da formação acadêmica. Vejo o IMPA como a minha segunda casa no Brasil”, afirmou, considerando que os eventos do Biênio da Matemática, como o Congresso Mundial de Matemáticos em 2018, trarão ainda mais reconhecimento para a Matemática brasileira e para o IMPA. 

Sobre mudanças de rumo acadêmicas – como a que o fez trocar Simulações Computacionais para a Dinâmica de Fluidos por Análise de Fourier -, Felipe relata ter prazer em partilhar sua experiência para mostrar que é possível, sim, recomeçar: “Gosto de dizer essa história, pois muitas vezes vejo colegas perdidos no início do doutorado sem saber que tópico escolher e penso que sempre é tempo para recomeçar do zero se você tem disciplina e perseverança.”

Incentivo à carreira e à divulgação matemática

Apoiado pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), o Prêmio Gutierrez, observa Felipe, “é extremamente importante” para a Matemática, pois, além de motivar alunos no início de suas carreiras, ajuda a divulgar o tema para a sociedade, seja em círculos nacionais e internacionais.

Pesquisador que dá nome ao prêmio, o peruano Carlos Teobaldo Gutierrez Vidalon (1944-2008) chegou ao Brasil em 1969 para estudar no IMPA, onde fez mestrado e doutorado e trabalhou como professor até 1999. Depois, atuou como titular no ICMC, contribuindo para a fundação e organização do grupo de pesquisa em Sistemas Dinâmicos.

A cerimônia de premiação está marcada para 28 de agosto, no auditório Fernão Stella de Rodrigues Germano do ICMC. Além da tese de Felipe, o trabalho Decomposição de Grafos em Caminhos, do recifense Fábio Happ Botler, receberá menção honrosa. Com graduação e mestrado na Universidade Federal de Pernambuco, fez doutorado no Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, com orientação da professora Yoshiko Wakabayashi e é professor da Universidad de Chile.