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5 de janeiro de 2018, 11:51h

Steve Smale: matemático sem medo de política na Guerra Fria

Steve Smale quase perdeu sua carreira na Matemática por seu fraco desempenho nos primeiros anos na Universidade de Michigan. Ele “acordou” quando o chefe do departamento ameaçou expulsá-lo. Começou a carreira como instrutor na Universidade de Chicago. Em 1958, surpreendeu o mundo matemático com uma prova do paradoxo da inversão da esfera. Em 1961, Smale cimentou sua reputação provando a Conjectura de Poincaré para todas as dimensões maiores ou iguais a 5.

Depois de ter feito grandes avanços em Topologia, ele se voltou para o estudo de Sistemas Dinâmicos, onde também fez avanços significativos. Sua primeira contribuição foi a “Ferradura de Smale”, que provocou significativas pesquisas em sistemas dinâmicos.

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Smale foi politicamente ativo em várias áreas, como os movimentos pela Liberdade de Expressão e contra a Guerra do Vietnã.

Em 1966, estava em Moscou para receber a Medalha Fields no Congresso Internacional de Matemáticos (ICM). No dia da cerimônia da Medalha Fields, Smale participou de uma conferência de imprensa na qual condenou o envolvimento dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã e comparou-a com a invasão soviética da Hungria, conseguindo criticar a América e a União Soviética.

O discurso não agradou nenhum dos lados. Em um episódio do estilo Guerra Fria, Smale foi levado abruptamente por agentes soviéticos para um passeio de carro para uma “conversa”  ele diz que ele foi tratado com cortesia. Chegou somente no final da cerimônia, a tempo de receber sua medalha. No meio da Guerra Fria, a história foi manchete no The New York Times.

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