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26 de setembro de 2017, 07:55h

Rangel Baldasso defende tese na área de probabilidade

 

Pesquisador da área de probabilidade, o gaúcho Rangel Baldasso, 26, sabe muito bem a importância dos padrões na identificação de possíveis resultados de um fenômeno aleatório. Compreensível, então, que a matemática tenha se tornado escolha profissional, considerando que o IMPA está presente na vida dele desde 2005.

Naquele ano, Rangel cruzou com o IMPA por meio da OBMEP, que acabara de ser criada. Aos 14 anos, cursava o 8º ano na Escola Municipal de Ensino Fundamental Prefeito José Chies, em Carlos Barbosa (RS), onde ingressara ainda no jardim de infância. Até então, a matemática, aos olhos dele, era tão somente uma disciplina do currículo. Mas a conquista de uma das 300 medalhas de ouro da competição representou um ponto de virada.

“Só estudava matemática porque era matéria da escola. Eu me diverti bastante com as olimpíadas. E acho que elas me ajudaram a tomar a decisão de estudar mais o assunto”, conta ele, na sala de café do IMPA, na véspera de sua defesa de tese, marcada para 13 horas desta terça-feira (26), na sala 236.

Na Escola Estadual de Ensino Médio na Elisa Tramontina, ele conquistou mais uma medalha na OBMEP e passou a integrar o Programa de Iniciação Científica (PIC Jr.). Lá, aprofundou ainda mais seus conhecimentos na área e, em 2009, ingressou no bacharelado com ênfase em Matemática Pura na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Apesar de ter permanecido na UFRGS até 2013, onde emendou o mestrado – defendeu a dissertação sobre o “Comportamento hidrodinâmico para processo de exclusão com taxa lenta no bordo” -, Rangel foi aluno especial do IMPA durante todo o período, como participante de cursos de verão. “O IMPA foi meio que foi uma escolha natural.”

Até que, em 2013, Rangel ficou de vez no IMPA. Com orientação do pesquisador da área de probabilidade Augusto Quadros Teixeira e coorientação de Daniel Ahlberg, da Stockholm University, ele se debruçou sobre modelos matemáticos rigorosos que são versões simplificadas de modelos realistas. “A esperança é que, algum dia, alguém consiga, com a ajuda do que eu estudei, entender algum modelo um pouco mais complicado, até que possamos chegar a modelos realistas”, observa.

Na tese, intitulada “Desacoplamento e sensibilidade ao ruído para modelos com dependências conservativas”, Rangel estudou modelos matemáticos que apresentam alguma forma de dependência. Cita, como exemplo, a variação da temperatura no tempo, considerando um copo de água. Se ele está quente, pouco tempo depois, ainda vai estar quente. Por outro lado, se estiver frio, ele não vai esquentar sozinho.

“O objetivo foi entender melhor como essas dependências decaem com o tempo. Por exemplo, se observamos o copo de água frio agora, não podemos dizer muito bem como ele estava ontem, mas sabemos que é provável que, há cinco minutos, ele estava frio também”, detalha.

No resumo da tese, cuja banca examinadora é composta ainda pelo diretor-adjunto do IMPA, Claudio Landim, Rob Morris (IMPA) e Serguei Popov (Unicamp), Rangel explica que trabalhou dois problemas diferentes. Além de ter provado estimativas de desacoplamento para sistemas de partículas conservativas unidimensionais, tratou de problemas relacionados com sensibilidade ao ruído e sharp thresholds para modelos de percolação.

Concluído o doutorado, Rangel já decidiu qual seu próximo passo profissional. Desta vez, porém, longe do IMPA: pós-doc na Bar Ilan University, em Israel.