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1 de março de 2018, 15:08h

Projeto do IMPA propõe livro didático aberto e colaborativo

Um só livro didático de Matemática adotado em salas de aula com realidades diversas e utilizado por professores com vivências e habilidades igualmente heterogêneas. Qual o resultado? Ele pode se transformar em ferramenta de ensino-aprendizagem eficaz em uma determinada escola, mas frustrante em outra.

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Na contramão de um livro único, acabado, fechado, o IMPA abraçou a ideia de uma obra aberta, criada a partir de contextos diversificados e de forma colaborativa, baseado em trabalhos de pesquisas das áreas de Ensino e Educação Matemática e na experiência dos professores que estão diariamente nas salas de aula da Educação Básica.

O projeto “Livro aberto de Matemática”  é um esforço de professores para produzir coleções de livros didáticos de Matemática para a Educação Básica de forma colaborativa e com licença aberta (Creative Commons), explica o pesquisador do IMPA Augusto Teixeira, que coordena a iniciativa junto com o diretor da Escola de Matemática da Unirio, Fábio Simas, mestre e doutor pelo IMPA. 

“Não existe o melhor livro didático. Existe o melhor livro didático para aquele professor, ou aluno, num determinado contexto. Todo professor pode dar uma contribuição. A ideia é que o livro é o tronco da árvore. E as ramificações são as versões incorporadas ou modificadas”, compara Simas, explicando o símbolo do projeto, uma árvore que surge das páginas de um livro aberto (confira o vídeo abaixo).

A ideia surgiu no fim de 2015. O IMPA, que já participa da Educação Básica por meio da OBMEP e tem experiência na parte editorial, queria dar um passo adiante. O assunto logo despertou o interesse de Teixeira e de Simas, entusiastas da ideia de recursos educacionais abertos.

Eles escreveram um projeto, apresentado em fevereiro de 2016 ao diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, e ao diretor-adjunto, Claudio Landim.  OK dado, Teixeira iniciou a elaboração do aplicativo book cloud, no qual o usuário pode visualizar e baixar o conteúdo, em suas versões mais recentes, em formato HTML e PDF. Após cadastro, é possível participar de um fórum de discussões e editar o texto diretamente na própria plataforma, como uma espécie de wikipedia. A diferença, aqui, é que todas as edições são avaliadas pela equipe de revisão.

O conteúdo de cada livro é determinado pela Base Nacional Comum Curricular e complementado com tópicos extras, selecionados pela equipe organizadora do projeto. No caso da Matemática, são cinco eixos: geometria; medida e forma; probabilidade e estatística; números e operações; álgebra e funções.

Teixeira destaca que o projeto visa estimular o protagonismo do professor e possibilitar livros construídos sem as amarras do processo tradicional de produção, valorizando a inovação. Segundo ele, como fazer um livro didático exige grande esforço, e as licitações reúnem diferentes serviços, como redação, ilustração e distribuição, isso acaba, de certa forma, desencorajando as mudanças no material. 

Além disso, observa o pesquisador do IMPA, como no Brasil as aulas costumam ser muito focadas no livro, é ainda mais fundamental que o material o mais adequado possível. “Preparar aula exige um tempo. Na Educação Básica, como muitos professores trabalham em mais de uma escola e têm uma rotina corrida, muitas vezes chegam em sala sem ter preparado a aula e vão direto para o livro. São vários problemas que precisam ser atacados. Estamos tentando agir em um deles, que é melhor o livro didático”, pontua Teixeira.

“A filosofia é dar protagonismo ao professor. Hoje em dia pesquisas em educação matemática mostram que boa parte dos professores segue o livro didático quase que cegamente. Não queremos um livro fechado. Todo professor pode dar uma contribuição. A gente quer que o professor que está usando o livro, se não gostar de uma determinada atividade, achar que ela não se insere em seu contexto, vá ao site do projeto, modifique o livro, reimprima e entregue ao aluno”, exemplifica Simas.

Oficinas em março

O projeto iniciou com o volume 1 do livro de Frações do Ensino Fundamental, para estudantes e professores do 4º ao 7º ano. Ele foi elaborado com base em pesquisas científicas e na experiência dos autores em sala de aula e em formação de professores de Matemática. Em sua segunda versão, o material está disponível no site. É possível acessar o PDF do livro do professor para visualizar em telas, para impressão em folhas A4 e o PDF do livro do estudante.

Além do livro de Frações, a equipe do projeto iniciou a elaboração da coleção de livros didáticos para o Ensino Médio, nos moldes do Plano Nacional do Livro Didático (PNLD). Os capítulos, no momento, estão em fase de revisão externa. É possível acessar o ambiente de elaboração da coleção, com financiamento da Fundação Itaú Social.

Teixeira e Simas esperam que, cada vez mais, a comunidade interaja, por meio de sugestões e comentários, e se torne colaboradora. Além da participação espontânea, a contribuição ao “Livro aberto de Matemática” se dá por meio de solicitações da equipe organizadora aos professores, para que usem trechos do livro em sala de aula e deem retorno sobre a experiência.

Outra forma de interação são as oficinas em que equipe organizadora e professores compartilham conhecimentos. As próximas serão em 2, 3 e 9 de março, para professores do Ensino Médio ou do segundo segmento do Fundamental. As oficinas acontecerão no Teatro Professor Libânio Guedes, no Colégio Pedro II, Campus da Tijuca II, e abordarão quatro temas: “Teorema de Tales”, “Medidas de posição e dispersão”, “Vistas ortogonais e representações em perspectiva” e “Função afim”.

As inscrições poderão ser feitas neste link. Participantes receberão material didático impresso e certificado. Para mais informações, acesse o site do projeto.

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