Navegar

18 de setembro de 2017, 13:32h

O Globo destaca OBMEP como política de inclusão

RIO – A segunda fase da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBMEP) começa hoje com cerca de um milhão de candidatos na competição. A primeira seleção, em junho deste ano, contou com 18 milhões de estudantes em 99,6% das cidades brasileiras.

— Uma das coisas mais positivas é que a prova é um instrumento de inclusão. O fato de ela chegar ao país todo é fundamental — afirma Marcelo Viana, diretor geral do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), que organiza o evento.

Foi desta forma que o exame chegou até Eduardo Silva Feitosa, aluno de 16 anos do ensino médio e morador de Feira Nova do Maranhão, cidade que só tem 203 matrículas neste segmento.

— Meus pais sempre batalharam para me dar uma vida melhor. Quando morávamos em Balsas (MA), meu pai era artesão e minha mãe era vendedora de loja. Eles pagavam, com dificuldade, escola privada para mim. No momento em que nos mudamos para a cidade de Feira Nova do Maranhão, passei a estudar em escola pública. Foi muito esforço para conseguir passar na prova, fiquei muito alegre por ter ganhado a medalha de ouro — conta Eduardo, que já coleciona duas medalhas de prata e uma de bronze de outras edições.

O caminho para o resultado na OBMEP é meritocrático. Somente os 5% dos melhores resultados passam para a segunda fase que acontece hoje. Nesta edição, a novidade se dá pela integração de candidatos de escolas públicas e particulares.

— Tivemos um número recorde de escolas públicas. Não houve receio destes colégios participarem. A premiação, porém, será separada. Precisamos entender como serão os resultados e como os próprios grupos vão se relacionar — relata Viana.

Eduardo está ansioso para poder apresentar para sua cidade uma medalha de ouro na competição:

— Esse ano espero ganhar outra medalha de ouro. E, com a OBMEP, quero ajudar na educação da cidade e realizar o sonho dos alunos aqui da escola que é terminamos a sua construção.

A competição premia 500 estudantes de escolas públicas com medalhas de ouro, 1.500 com a prata, 4.500 com o bronze, além de 46.200 menções honrosas. A cerimônia com os resultados ocorrerá em 22 de novembro, mas Mariana Bigolin, de 16 anos, já se imagina participando da festa.

— Estou treinando e esperançosa com a medalha. Será minha quinta vez participando. Na primeira, a escola se inscreveu e eu nem sabia direito o que era na primeira fase. Quando fui bem e passei para segunda, me dediquei muito. E, sem eu esperar, ganhei minha primeira medalha — conta Mariana.

Familiarização com a matéria

Aluna da cidade de Frederico Westphalen, a 434 quilômetros de Porto Alegre, Mariana já participou de competições similares em Fortaleza, no Equador e até na Suíça.

— Isso me motivou a continuar estudando matemática. Não vou cursar esta graduação, mas vou estudar Computação. Se não fosse esta competição desde o meu 6º ano, talvez eu não tivesse tido essa vontade — conta.

Para Marcelo Viana, este é exatamente o mérito da OBMEP em um país onde os resultados na disciplina são abaixo do esperado no cenário mundial.

— No Brasil, a exposição do jovem a elementos que remetam a matemática, fora da sala de aula, é uma das mais baixas no mundo. Naturalmente, quando chegam no colégio, a disciplina se torna uma coisa alienígena. A OBMEP consegue introduzir a matéria na vida do jovem de maneira natural — diz ele, que comemora a 13ª edição da disputa.