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12 de julho de 2017, 16:33h

IMO 2017 reúne, no Rio, estudantes de 111 países

 

Mais antiga e prestigiada competição científica para alunos do Ensino Médio, a Olimpíada Internacional de Matemática (IMO em inglês) vai ganhar, pela primeira vez, um colorido verde e amarelo. Sediada no Rio, com organização do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), sua 58ª edição terá a participação recorde de 623 estudantes de 112 países de cinco continentes. De 17 a 23 de julho, eles transformarão o Brasil no polo mundial da Matemática.

Equipes formadas por até seis estudantes craques em Matemática vão se debruçar sobre os mais desafiadores problemas, repetindo um ritual iniciado em 1959, na Romênia, com apenas sete países. Desde então, o encontro mundial é realizado anualmente – exceto em 1980 – com o objetivo de incentivar o desenvolvimento da Matemática pela disputa e a troca de experiências entre representantes de culturas distintas.

O Brasil iniciou sua participação na IMO em 1979 e já conquistou 22 medalhas e 29 menções honrosas. Em 2016, atingiu sua melhor colocação na história da competição: 15ª lugar na pontuação geral por equipes, com cinco medalhas de prata e uma de bronze. Cada equipe de até seis alunos tem um líder e um vice-líder.

O time do Brasil foi selecionado pelo IMPA e pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) de um grupo de 30 alunos que vem recebendo treinamento intensivo desde o ano passado. São medalhistas de competições nacionais e internacionais de Matemática: André Yuji Hisatsuga, 17 anos, e Pedro Henrique Sacramento de Oliveira, 18, de São Paulo; Bruno Brasil Meinhart, 16, e George Lucas Alencar, 18 anos, do Ceará; João César Campos Vargas, 19, de Minas Gerais; e Davi Cavalcanti Sena, de 17 anos, de Pernambuco.

A equipe brasileira foi apresentada em junho, durante o anúncio oficial do Biênio da Matemática Brasil 2017-2018, que tem apoio dos ministérios da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e da Educação, e patrocínio do BNDES. Instituído em novembro de 2016, o Biênio reúne os principais eventos mundiais da área – IMO e Congresso Internacional de Matemáticos 2018 – e uma série de ações para incentivar o estudo da disciplina, popularizá-la e promover atividades que aproximem o público da Matemática. Como parte das atividades do Biênio, já foram realizadas a Bienal da Matemática e o Festival da Matemática, que reuniu, em quatro dias, 18 mil pessoas no Rio e mostrou como a disciplina pode ser acessível e divertida.

Para estimular a presença feminina na competição, o IMPA sugeriu a criação de uma premiação que vai estrear nesta edição da IMO e será incorporada à olimpíada. O Troféu IMPA Meninas Olímpicas vai agraciar as cinco estudantes que mais contribuírem para o resultado de suas equipes.

O papel das mulheres na Ciência será tema de uma mesa-redonda às 17 horas do dia 22. O evento pretende identificar obstáculos e oportunidades para carreiras de sucesso de acadêmicas, executivas e empreendedoras. A linguista e professora da PUC-Rio Branca Vianna vai mediar o debate, que terá a pesquisadora do IMPA, Carolina Araújo; a fundadora do Movimento Mapa da Educação, Tábata Amaral; e Larissa Lima, medalhista da IMO em 2002 e integrante da ONG Primeira Chance, entre outras participantes.

 
ATLETAS DO BRASIL NA OLIMPÍADA INTERNACIONAL DE MATEMÁTICA

    

João César Campos Vargas
 
JoaoCesar_2.png“Essa suposta pressão geralmente se reverte em apoio. Somos muito capacitados, mas competições como a IMO premiam também quem pensa nas resoluções de forma diferente da usual.” quer seguir carreira em Matemática e, este ano, foi selecionado para ir para a Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Ele sonha com o ouro no Rio, mas não se diz ansioso com isso: João César Campos Vargas, 19 anos, coleciona medalhas desde que, meninote ainda, participou de sua primeira Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) como aluno de escola pública da pequena Passa Tempo (MG). Heptacampeão na competição, conquistou ouro também nas duas últimas edições da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) e garantiu em edições anteriores da IMO uma medalha de bronze (2015) e uma de prata (2016) para o Brasil.

 

Pedro Henrique Sacramento de Oliveira

PedroHenrique.pngHenrique_2.jpgA emoção de ser premiado na Olimpíada Internacional de Matemática (IMO), o paulista Pedro Henrique Sacramento de Oliveira, 18 anos, conhece muito bem. Vivenciou a experiência nos últimos dois anos, quando trouxe para o Brasil medalhas de prata. O caminho trilhado até o topo das competições de Matemática foi construído com muita dedicação e resultou em mais de 50 prêmios em torneios de conhecimento. Em 2016, além de ter integrado a equipe que garantiu ao Brasil a melhor colocação histórica na IMO – 15ª no ranking geral –, o estudante foi o primeiro lugar geral na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) 2016. Pedro deseja estudar Matemática e Informática na graduação. Sobre a IMO, diz que não ter o ouro como meta. “Prefiro continuar melhorando em vez de ter um objetivo fixo. Se colocasse isso como meu objetivo e conseguisse, acabaria qualquer motivação para a Matemática. Prefiro me desafiar.”
 
 
George Lucas Diniz Alencar 
 
GeorgeLucas_2.pngPelo segundo ano consecutivo, o cearense George Lucas Diniz Alencar, 18 anos, vai encarar o desafio de encontrar soluções para problemas matemáticos de alto nível em uma prova da IMO. Na última edição da maior competição estudantil da área, em Hong Kong, ele ganhou um bronze. O ano de 2016 foi de muitas vitórias para o estudante. Além do ótimo desempenho na IMO, conseguiu a segunda nota em todo o país no nível 3 (alunos do Ensino Médio) da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM). Garantiu ainda uma medalha de prata na 31ª Olimpíada Ibero-americana de Matemática (OIM), no Chile, quando o Brasil disputou com 22 países e ficou em primeiro lugar na pontuação geral. Sobre o desafio de julho de 2017, diz: “Quero participar de mais uma IMO para dar o meu melhor de novo.”
 
 
 
  André Yuji Hisatsuga
 
AndreYuji_2.jpg
Estreante na mais disputada competição internacional de Matemática, o paulistano André Yuji Hisatsuga, 17 anos, dizia, na fase de treinamentos para IMO, que integrar o time brasileiro já seria uma grande realização. Sonho alcançado, agora mira em uma medalha para o Brasil. Desde que passou a se dedicar aos torneios na área, André acumula prêmios. André há quatro anos é medalhista de ouro da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), no nível 3 (Ensino Médio). Em competições internacionais, ganhou medalha de prata na Olimpíada de Matemática do Cone Sul (2015) e ouro na Olimpíada de Matemática dos Países da Comunidade de Língua Portuguesa (2014). Para ele, “Olimpíadas são ambientes que inspiram o estudante”. 

 

 
 
Bruno Brasil Meinhart 
 
BrunoMeinhart_2.jpgApós três anos consecutivos de medalhas na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) – ouro (2014), bronze (2015) e prata (2016) –, o cearense Bruno Brasil Meinhart, 16 anos, vai integrar a equipe olímpica do Brasil na IMO. Experiência em outras competições internacionais de Matemática ele já tem, com resultados muito positivos. Em 2016, ganhou medalha de bronze na Olimpíada Rioplatense de Matemática e, em 2015, alcançou o 5º lugar geral na Olimpíada de Matemática da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em Cabo Verde. Bruno estreou em olimpíadas do conhecimento na 5ªsérie. É um aficionado por Ciências da Computação e diz que os conhecimentos adquiridos nos torneios em Matemática serão essenciais para o bom desempenho na área.

 

 
Davi Cavalcanti Sena
 
DaviSena_2.jpgO pernambucano Davi Cavalcanti Sena, 17 anos, estreou nas competições de Matemática em 2012. Fez a prova da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), despretensiosamente, sem estudar, e conseguiu uma menção honrosa. A partir de então, não parou mais de competir. Por três anos consecutivos, foi medalhista da OBM, com um ouro (2014), uma prata (2016) e um bronze (2015). Em 2013, o aluno de escola particular de Caruaru, no agreste pernambucano, ganhou uma medalha de bronze na Olimpíada Internacional de Matemática de Mayo e repetiu o feito em 2015. No ano passado, conquistou um bronze na Olimpíada Iraniana de Geometria Avançada e, este ano, trouxe um ouro na Olimpíada de Matemática da Ásia e Pacífico. Davi se vê desafiado pela criatividade das provas aplicadas nos torneios.