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30 de janeiro de 2018, 15:48h

Brasil produz 2,4% de toda pesquisa matemática mundial

* O texto abaixo fez parte do dossiê de candidatura do Brasil ao Grupo 5, a elite da Matemática mundial, da União Matemática Internacional 

Análise e sistemas dinâmicos foram as primeiras áreas de pesquisa de matemática desenvolvidas no Brasil. Seguiram-se logo a geometria diferencial, o cálculo das variações, o que naturalmente levou a equações diferenciais parciais, álgebra e geometria algébrica. Seguiram-se estatística, o controle, a otimização e a teoria da probabilidade. As adições mais recentes incluem a matemática discreta, especialmente combinatória, e diversas aplicações: análise numérica, dinâmica de fluidos, visão computacional e problemas inversos, para mencionar apenas alguns.

Entre os desenvolvimentos recentes mais interessantes, destacam-se o surgimento de uma nova geração de matemáticos interessados nas modernas tendências da geometria (simplética, complexa etc.), álgebra (não comutativa, não associativa etc.) e matemática discreta também como a criação de importantes grupos de pesquisa em álgebras de operadores, teoria de lie e certas áreas da física matemática, incluindo a teoria de gauge e a teoria das cordas.

IMPA (Rio de Janeiro), as universidades estaduais de São Paulo (São Paulo e São Carlos) e Campinas, as universidades federais do Rio de Janeiro, Brasília, Minas Gerais (Belo Horizonte) e Ceará (Fortaleza) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro são considerados os principais centros nacionais de pesquisa em matemática. Grupos de pesquisa de alto padrão também existem nas universidades federais de Pernambuco (Recife), Paraíba (João Pessoa, Campina Grande), Paraná (Curitiba), Rio Grande do Sul (Porto Alegre) e Fluminense (Niterói), e nas universidades estaduais de Maringá e São Paulo em Rio Preto. Especialmente desde o final da década de 1990, foram instalados grupos menores, mas muito produtivos, nas universidades federais do Pará (Belém), Bahia (Salvador), Alagoas (Maceió), Goiás (Goiânia), Santa Catarina (Florianópolis), ABC (Santo André) e São Carlos.

Todas essas instituições oferecem cursos de doutorado em matemática e/ou estatística para estudantes brasileiros e internacionais. Assim, a pesquisa em matemática está agora bastante bem distribuída no território brasileiro.

Uma consequência desse crescimento é que a contribuição brasileira para a produção mundial de matemática vem aumentando rapidamente, tanto em termos absolutos quanto em termos de percentuais. Em 2006, por exemplo, logo após o Brasil atingir o Grupo IV do IMU, representou 1,53% da produção mundial (1043 trabalhos de pesquisa). Até 2016, cresceu para 2,35% (2076 trabalhos). Como comparação, tanto o produto interno bruto (PIB) como a população do Brasil representam cerca de 2,9 % dos totais correspondentes do mundo.

Em 2016, um total de 2.349 trabalhos de pesquisa foram escritos por matemáticos brasileiros, passando de 253 em 1986, 530 em 1996 e 1.155 em 2006 (fonte: MathSciNet).

 

 

De um ponto de vista mais qualitativo, trabalhos de pesquisa de matemáticos brasileiros aparecem regularmente na maioria das publicações e revistas científicas mais importantes. Certamente, não somente o número dessas publicações de alto nível aumentou substancialmente ao longo das duas últimas décadas, mas a lista onde os autores brasileiros publicam regularmente também estão ampliando-se, refletindo a crescente diversidade de matemática criada no país.

Em 2016, a porcentagem de trabalhos de pesquisa de matemática por autores brasileiros atingiu 2,35% da produção total mundial, ante 0,70% em 1986, 1,06% em 1996 e 1,53% em 2006 (fonte: MathSciNet).

Isso também se refletiu em uma presença cada vez maior de palestrantes convidados e plenários brasileiros no International Congress of Mathematicians:

Várias das pessoas desta lista são originárias de outros países: é de notar que as universidades e institutos de pesquisa brasileiros contratam regularmente membros das faculdades de todo o mundo, sem restrições de cidadania. Os matemáticos brasileiros foram distinguidos com prêmios internacionais de prestígio, incluindo o Prêmio Balzan 2010 (Fondazione Internazionale Prêmio Balzan, Itália) para Jacob Palis e o Grand Prix Scientifique Louis D. 2016 (Institut de France) para Marcelo Viana. Além disso, o Ramanujan Prize (IMU e ICTP) foi quatro vezes concedido aos matemáticos brasileiros: Marcelo Viana (2005), Enrique Pujals (2008), Fernando Codá Marques (2012) e Eduardo Teixeira (2017).

Uma pequena amostra de encontros de matemática realizados no Brasil
International Congress of Mathematical Physics, 2006
International Congress on Minimal and Constant Mean Curvatures Surfaces, 2007
Worshop em Equações Diferenciais Parciais: Teoria, Computação e Aplicações, 2007
Primeiro Simpósio Indo-Brasileiro em Matemática, 2008
International Conference on the Analysis of Algorithms, 2008
Mathematical Methods and Modeling of Biophysical Phenomena, 2009
Workshop sobre Dinâmica Conservadora e Geometria Simplética, 2009
Clay Mathematics Institute Summer School, 2010
Poisson 2010 – Poisson geometry in Mathematics and Physics, 2010
Mathematical Modelling and Calibration in Commodities and Energy, 2011
Arithmetic of Modular forms and Elliptic Curves, 2011
Quantum Groups and 3-Manifold Invariants, 2012
Arithmetic and Geometry of Picard-Fuchs Differential Equations, 2012
International Conference on Dynamical Systems, 2013
Symmetries in Mathematics and Physics II, 2013
International Symposium on Generalized Convexity and Monotonicity, 2014
Discrete Markov Chains: mixing times and beyond, 2014
Latin American School of Algebraic Geometry and Applications, 2015
International Conference in Number Theory and Physics, 2015
SAET Conference on Current Trends in Economics, 2016
International Conference on Stochastic Programming, 2016
International Mathematical Olympiad, 2017