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16 de agosto de 2017, 12:08h

"Al Capone e o Raio da morte" e outros títulos estranhos

Se você é daqueles que acha que todo matemático é circunspecto, engana-se. E o bom humor de estudiosos da área pode ser constatado em diversas situações, até mesmo na hora em que nomeiam os seus trabalhos científicos. Em determinados fóruns de matemáticos, é possível acompanhar discussões sobre  os artigos (em inglês) com nomes mais esquisitos.

O pesquisador R.C. Lyness pode ser um dos avós da zoeira. Em 1941, ele lançou o artigo com o curioso título “Al Capone e o Raio da Morte“(tradução livre), na Mathematical Gazette. A publicação começa citando os problemas do sistema rodoviário americano até chegar em uma situação fantasiosa na qual o mafioso Al Capone sofre um atentado. Com um raio da morte, óbvio.

Outros matemáticos preferem usar verbos em primeira pessoa, como o do artigo “Um sinal de subtração que me irritava, mas agora eu sei o porquê dele estar lá“, de Peter Tingley, que trata de topologia geométrica. E um trabalho sobre probabilidade segue a mesma linha e traz como título a frase “Eu sei que eu deveria ter feito aquela curva à esquerda em Albuquerque“.

Por fim, alguns tendem à honestidade pura e simples, como o famoso J.R. Stallings, conhecido por seus importantes trabalhos em topologia de baixa dimensão e teoria geométrica de grupos. Em 1965, ele lançou o artigo “Como não provar a Conjectura de Poincaré“, no qual ele faz uma mea-culpa dos seus erros e reformula sua análise. A publicação foi bastante referenciada em estudos posteriores sobre os aspectos algébricos da conjectura.